‘Fome de Poder’: drama com Michael Keaton surpreende na bilheteria

‘Fome de Poder’: drama com Michael Keaton surpreende na bilheteria

Rodrigo Fonseca

22 Janeiro 2017 | 20h01

 

No papel do vendedor falido Ray Kroc, que acabou sendo o responsável por fazer do McDonald's um império, Michael Keaton tem um desempenho arrebatador em

No papel do vendedor falido Ray Kroc, que acabou sendo o responsável por fazer do McDonald’s um império, Michael Keaton tem um desempenho arrebatador em “Fome de Poder”

RODRIGO FONSECA

Um gostinho de Big Mac com molho extra – um molho apimentado chamado Michael John Douglas Keaton – faz de Fome de Poder (The Founder), de John Lee Hancock, uma iguaria entre os lançamentos comerciais dos Estados Unidos neste fim de semana, que antecede o anúncio das indicações ao Oscar 2017, agendado para esta terça. Espremido entre M. Night Shyamalan (e seu Fragmentado) e Vin Diesel (com XXX: Reativado), este drama agridoce, com muito riso, sobre a transformação de uma lanchonete do interior dos EUA – batizada apenas de McDonald’s – num império gastronômico de escopo planetário foi “a” surpresa das bilheterias americanas entre sexta e domingo, agitando já apostas para as estatuetas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. E seria mais do que justo, frente a esta arrancada milionária que o novo filme do realizador de Um Sonho Possível (2009), vê-lo render um troféu a um ator do quilate de Keaton, no apogeu de seu talento e de seu prestígio desde Birdman (2014), pelo qual já merecia ter sido oscarizado.
Anota aí: a estreia de Fome de Poder está prevista para 2 de fevereiro.

The Founder 7 Fome de Poder Keaton

Numa composição saturada num colorido de simplicidade capaz de evocar o jovem Jack Lemmon em suas mais abrasivas comédias, Keaton encarna Ray Kroc, vendedor fracassado de processadores industriais de milk-shakes para lanchonetes que fareja uma chance de mudar de vida ao fazer uma boquinha num fast food realmente fast – e trata-se de um fast à la The Flash. O lugar pertence aos irmãos Maurice (John Carroll Lynch, ótimo) e Richard McDonald (Nick Offerman). Para os dois, aquela lojinha que rende milhares de dólares basta. Mas Kroc vislumbra milhões e convence os manos a darem a ele o direito para franquear o restaurante. Com muita luta retórica – marcada por diálogos de uma acidez rara em Hollywood – entre potenciais investidores, o veterano homem de negócio funda um império, cuja grandeza vai gerar uma rixa entre os titulares dos arcos dourados. Em paralelo, ele enfrenta problemas conjugais com sua mulher, Ethel  (Laura Dern, deliciosamente intolerante), que se sente negligenciada.

Parece um filme sobre negócios, mas, no fundo, é uma história sobre sonhos e perseverança, o que faz de Kroc uma espécie de herói do rendimento, em guerra contra a miopia comercial de seu país. Numa elegância singular, Keaton dá à figura deste empresário do ramo de hamburgueria um tom quixotesco poético e arrebatador.