Flup tira dez na aula de live (e de inclusão)

Flup tira dez na aula de live (e de inclusão)

Rodrigo Fonseca

19 de agosto de 2020 | 15h05

Rodrigo Fonseca
Às 19h desta terça-feira, o Youtube e o Facebook da Festa Literária das Periferias (Flup), uma maratona sociológica e lírica de prosa e poesia, convida a atriz Maria Gal e ao diretor Jeferson De, sob a mediação do jornalista e pesquisador da TV Globo Evandro Luiz da Conceição, para um papo (a)live sobre os 60 anos de lançamento do livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus (1914-1977). Vai ser uma conversa sobre literatura, sobre audiovisual e sobre inclusão, pautada na luta cotidiana (pela vida) das populações negras no Brasil.
“Apesar de seguir atual no que tange à questão social e racial no Brasil, ‘Quarto de despejo’, 60 anos depois de seu lançamento, dá pra gente pistas de que o projeto político e o desejo de devir de Carolina Maria de Jesus segue em curso”, diz Evandro ao P de Pop. “Diferentemente de 1960, quando a obra foi lida pela classe média e por uma elite intelectual que não a reconheceu como par, em 2020, uma cena literária preta se consolida com leitores e escritores negros que foram à universidade. Apesar de este livro ser emblemático, de ser o ‘passaporte’ de Carolina de Jesus, estamos atentos ao universo de possibilidades que a interpretação da escrita da autora nos apresenta. A partir desta reflexão, a conversa com a atriz Maria Gal e o cineasta Jeferson De se dividirá em três blocos: ‘A recuperação definitiva de Carolina Maria de Jesus’, ‘Quem está lendo Carolina Maria de Jesus’ e ‘Dramaturgia: que Carolina Maria de Jesus é relevante?’”.

Carolina Maria de Jesus é a homenageada da Flup

Organizador da Flup, o escritor pernambucano Julio Ludemir defende que “hoje é um dia histórico, um dia que qualquer outro país do mundo estaria celebrando como uma data nacional”. “Hoje é o dia em que comemoramos os 60 anos da publicação de ‘Quarto de Despejo’. Esse é o primeiro livro escrito por uma mulher negra a fazer sucesso mundial. Não foi uma mulher negra dos EUA, não foi da Europa, nem da África. Quem conseguiu esse feito foi uma mulher brasileira, cujo nome é Carolina Maria de Jesus. Nós na FLUP já temos, há alguns anos, um prêmio com o nome dela para pessoas que mudaram suas vidas ou a de outras por causa de livros. Fizemos um festival inteiro dedicado a ela. Reunimos desde o dia 12 de maio até agora, mais de 50 pessoas negras para poder falar sobre a importância da Carolina Maria de Jesus e do ‘Quarto de Despejo’, reapresentando esse livro, que não apenas é o relato de uma mulher negra miserável que ia para a rua catar comida para seus filhos. Essa mulher tem um projeto artístico, tem um projeto estético e escreveu 6 mil páginas, das quais apenas 200 foram reconhecidas. ‘Quarto de Despejo’ é o ponto de partida por intermédio do qual ficamos sabendo da existência dessa mulher, que foi publicada em 40 países, em 13 idiomas e é um dos maiores feitos da história da nossa literatura. Pra isso, chamamos o Jeferson De e a Maria Gal, que estão trabalhando em um projeto audiovisual no mainstream com a Carolina. Nós entendemos que é a cereja de um bolo, que é o resgate da Maria Carolina de Jesus. Ela só não tem inaugurada a exposição no IMS, o Instituto Moreira Salles, por causa da pandemia. A Carolina está tendo o mesmo tratamento, na Companhia das Letras, que o Érico Veríssimo, o Jorge Amado, o João Cabral de Melo Neto e os grandes autores brasileiros tiveram. Todos os seus originais foram reunidos e estão sendo estudados para serem publicados um a um. Pra mediar essa conversa entre uma grande atriz, que é a Maria Gal, e um de nossos maiores cineastas, o Jeferson, agente chamou o Evandro, que é uma pessoa cuja carreira a gente acompanha desde o começo e está se consolidando cada vez mais no universo audiovisual. A gente reuniu essas pessoas que possuem muito a ver com a nossa história, para celebrar essa data histórica de um livro altamente relevante”.

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