‘First Reformed’ abençoa Paul Schrader

‘First Reformed’ abençoa Paul Schrader

Rodrigo Fonseca

31 Maio 2018 | 10h46

Rodrigo Fonseca
Poucos filmes aparecem na lista pra lá de prévia que o site americano Awards Daily, maior fórum de premiações cinematográficas, montou acerca das previsões para o Oscar 2019. Mas entre as expectativas há um filme inédito de Paul Schrader (A Marca da Pantera), espécie de proscrito entre os mestres do cinema easy rider dos EUA dos anos 1970, mais famoso por seu trabalho como roteirista, em Taxi Driver (1976). Schrader vem sendo encarado como um potencial oscarizável por First Reformed, que traz o sempre ótimo Ethan Hawke como seu protagonista, de batina de padre. Nesta trama de tintas políticas e existenciais, Hawke vive o ex-militar Toller (Ethan Hawke), um sacerdote atormentado pela perda de seu filho, que ele encorajou a se alistar nas forças armadas. Mas ao travar amizade com a jovem paroquiana Mary (Amanda Seyfried), ele vai ter que enfrentar uma tentação digna de pecado mortal, literalmente: a moça está ligada a uma célula ambientalista que usa explosivos para poder alcançar seus fins. Indicado ao Leão de Ouro de Veneza em 2017, este thriller é o trabalho mais badalado do cineasta desde Temporada de Caça (1997).

Durante as filmagens de First Reformed, em 2016, Hawke conversou com o P de Pop no Festival de San Sebastián, na Espanha: “Eu fiz uns 50 filmes na vida, mas eu ainda me sinto surpreso com o que o cinema tem a me oferecer, talvez mais agora, em que passei dos 40, do que antes. Na juventude, queria que toda atuação fosse muito natural, parecida com meu jeito de ser. Hoje, eu quero é poder descobrir coisas. Até quando eu dirijo filmes, eu o faço para poder descobrir mais sobre a arte de atuar. Quando eu tinha 18 anos e estreou Sociedade dos Poetas Mortos, fui mandado para um evento no Japão, para divulgar aquele filme. Eu era um moleque sem nada a dizer que não fosse compartilhar com os outros a alegria de ter podido contracenar com Robin Williams. Hoje, eu vivi um pouquinho mais, tenho uma filha adolescente que está querendo ser atriz… ou seja, já tenho o que dizer. Mas tenho muito a aprender. Quem sabe se eu completar mais 30 anos de carreira, se viver até lá, eu chegue a algum lugar curioso na Arte”.