‘First Cow’ colhe frutos numa pré do Oscar

‘First Cow’ colhe frutos numa pré do Oscar

Rodrigo Fonseca

22 de dezembro de 2020 | 11h07

Orion Lee e John Magaro formam uma dupla pautadas pela exploração de uma iguaria baseada em leite de vaca em “First Cow”

Rodrigo Fonseca
Eleito o achado cinéfilo do ano pelo Florida Film Critics Circle, “FIRST COW”, de Kelly Reichardt, vem pavimentando uma estrada gloriosa de consagrações em um prematuro Oscar buzz deste 2020 pandêmico, sendo encarado como uma aposta quente para estatuetas, na festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográfica, agendada para 25 de abril. Na semana passada, este western gourmet foi coroado pelo New York Film Critics Circle como sendo o filme mais potente entre as estreias de janeiro até agora. Exibido publicamente pela primeira vez em agosto de 2019, em Telluride, este elogio à solidariedade entre culturas distintas amoleceu corações em sua passagem pela Berlinale, em fevereiro, onde Kelly citou a grande diretora Ida Lupino como um dos pilares do filão. “Vivemos sob uma égide de homens brancos no gênero. Mas eu tentei desmistificar essa representação abordando o signo feminino da terra, em figuras ligadas à luta pela sobrevivência”, disse Kelly ao Estadão, em Berlim, onde disputou o Urso de Ouro.

Estrela da cena indie dos Estados Unidos, respeitada por filmes como “Movimentos noturnos” (2013), Kelly foi jurada em Cannes, em 2019. Seu “First Cow” foi calorosamente aplaudido na capital alemã. Na coletiva de imprensa do evento germânico, ela estava ao lado do ator Orion Lee. Ele é um dos protagonistas deste faroeste sem bangue-bangue: o imigrante chinês King-lu, que trava uma relação de trabalho e amizade com o comerciante de peles Cookie (John Magaro). Os dois passam a fazer um exótico bolinho usando o leite roubado da vaca de um inglês rico (Tony Jones).
“Eu tento montar sempre atenta à força de imagens que desafiem lugares comuns. O faroeste tem um código tão forte, e foi tão explorado nas telas, que faz tudo parecer já visto, já batido. Meu desafio era explorar aqueles códigos familiares sob perspectivas que ainda não foram vividas, como as relações de afeto entre amigos”, disse Kelly. “Está mitologia calcada em pistoleiros passa pela História dos EUA de uma maneira que sempre precisa ser desconstruída. É necessário revermos os personagens que construíram nosso passado”.

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