#fiqueemcasa e curta a Unifrance

#fiqueemcasa e curta a Unifrance

Rodrigo Fonseca

26 de março de 2020 | 18h27

Ganhador do troféu César de melhor curta de 2020, “Pelo Menos” (“Pile Poil”), de Lauriane Escaffre e Yvonnick Muller, é uma das 50 atrações do #StayHome do My French Film Festival, em quarentena pelo coronavírus

Rodrigo Fonseca
Vencedor do troféu César, o Oscar francês, de melhor curta-metragem de 2020, com sua doce mirada para a paternidade, “Pile Poil” (“Pelo menos”, numa tradução para o Português), da dupla Lauriane Escaffre e Yvonnick Muller, vai estar ao alcance de um clique dos cinéfilos brasileiros… e de outros países… nestes dias de quarentena contra o alastramento do coronavírus (Covid-19). Numa iniciativa de #fiquemecasa da Unifrance (o órgão do governo da França responsável por levar a produção audiovisual de seu pátria pelo mundo afora), a delicada e depiladora saga de uma aspirante a esteticista (Madeleine Baudot) para driblar a truculência de seu pai açougueiro (Grégory Gadebois) poderá ser vista online, internacionalmente, a 0800, ao lado de outros 49 curtas, ao se acessar o link MyFrenchFilmFestival.com. Nas raias da dramédia, o impecável exercício de direção de Lauriane e Yvonnick é parte da seção #StayHome do My French Film Festival. No ar a partir desta sexta-feira, até 27 de abril, essa saborosa seleta de pequenas grandes histórias aposta em desenhos animados, tramas de guerra e dramas nas raias do documental, selecionados com base no que os franceses produziram de melhor em termos de narrativas de até 50 minutos. “Pelo Menos” vem sendo um destaque, em âmbito global, em mostras competitivas, por seu ataque ao sexismo, torcendo fronteiras de gênero. Mas há muitos outros temas em foco, com destaque para a obra-prima “Ce N’Est Pas Um Film De Cowboys”, de Benjamin Parent, no qual dois colegas de colégio conversam sobre “O segredo de Brokeback Montain” (2005), de Ang Lee, revendo as certezas de ambos sobre orientações sexuais e sobre o western clássico. Entre os 50 títulos que a Unifrance selecionou, confira, o mais rápido que puder, as animações “Le Silence Sous L’Écorce”, de Joanna Lurie; “Le Rêve De Sam”, de Nölwenn Roberts; e “Mademoiselle Kiki et Les Montparnos”, de Amélie Harrault. Outras gemas a serem garimpadas: “C’Est à Dieu Qu’Il Faut Le Dire”, de Elsa Diringer; “La Traction Des Pôles”, de Marine Levéel; “Errance”, de Peter Dourountzis (com o brilhante ator Paul Hamy); “Judith Hôtel”, de Charlotte Le Bon; e “Fais Croquer”, de Yassine Qnia.

Cena de “C’Est à Dieu Qu’Il Faut Le Dire”, de Elsa Diringer, um dos melhores títulos entre as 50 produções selecionadas pela Unifrance

Fora do âmbito dos curtas, há uma leva de longas-metragens franceses de peso aguardando o coronavírus dar no pé, como é o caso de “Benedetta”, de Paul Verhoeven, no qual Virginie Efira vive uma freira com poderes miraculosos que tem sua fé testada ao viver uma paixão homoafetiva. Tem ainda “Petite Fleur”, coprodução com a América do Sul, pilotada pelo argentino Santiago Mitre. Nela, o diretor de “A Cordilheira” (2017) põe o uruguaio Daniel Hendler na pele de um fã de jazz que mantém um estranho ritual diário: todo dia ele mata seu vizinho… o mesmo… que renasce a cada manhã. E há uma comédia com fôlego para arrastar multidões aos cinemas: “Effacer L’Historique”, de Benoît Delépine e Gustave Kevern, laureada com o troféu especial do 70º aniversário da Berlinale. É uma provocativa chanchada sobre a submissão nada erótica nossa às redes sociais e à tecnologia digital. “Nossos filmes têm uma dimensão de denúncia, mas também têm mel, têm afeto… e, aqui, o nosso olhar se volta sobre a privacidade de pessoas que se deixaram dragar pelos celulares”, disse Kervern à Berlinale, comemorando a vitória do cinema comercial da França, com um hilário painel de situações, incluindo uma motorista de aplicativos que é dependente de séries de TV. “Como Benoît e eu andamos muito de metrô, todos os dias, a gente tem tempo de observar as vidas alheias”.

#Unifrance #MyFrenchFilmFestival #PilePoil #trofeuCesar

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