Fipresci consagra Aki Kaurismäki e sua comédia política

Fipresci consagra Aki Kaurismäki e sua comédia política

Rodrigo Fonseca

07 de setembro de 2017 | 13h03

Laureado em Cannes, há um ano, com o troféu Carroça de Ouro pelo conjunto de sua obra, o finlandês Aki Kaurismäki teve seu novo filme eleito como o melhor longa de 2017 pela Federação de Imprensa Cinematográfica

Rodrigo Fonseca
Aos 60 anos, o finlandês Aki Kaurismäki acaba de entrar para uma lista seletíssima de diretores a conquistar o Grand Prix dado pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci): seu filme mais recente, O Outro Lado da Esperança, foi eleito o melhor filme do ano pela nonagenária instituição. O resultado da enquete, que integrou 576 críticos do mundo todo, foi anunciada nesta quinta. O diploma que simboliza a láurea será entregue ao cineasta no dia 22 deste mês, no Festival de San Sebastián, na Espanha, onde a produção será projetada numa sessão de gala. O longa eleito foi laureado no Festival de Berlim, em fevereiro, com o troféu de melhor direção, e se impôs no gosto dos votantes da Fipresci por seu humor corrosivo – mas também por sua centelha de caridade e de altruísmo – ao falar sobre a situação dos refugiados.

“Ninguém hoje no cinema faz um humor com tanta elaboração plástica, tão próximo de feridas políticas globais, como Kaurismäki, cujo refinamento contagia a todos”, diz ao P de Pop a atual presidente da Fipresci, a jornalista turca Alin Tasciyan.

Conhecido no Brasil por filmes como O Homem Sem Passado (2002) e O Porto (2011), o cineasta de 59 anos é um dos diretores mais premiados do Velho Mundo na últimas três décadas, por uma estética hipercolorida, nas raias da caricatura. Em 2016, Kaurismäki ganhou em Cannes o troféu Carroça de Ouro, atribuído pela Quinzena dos Realizadores a cineastas com status de mestre. Sua fase atual é voltada para fluxos migratórios. Na trama de O Outro Lado da Esperança – esperado para o Festival do Rio (em outubro) – fala sobre um imigrante ilegal sírio que se alia a um jogador de cartas malandrão hoje em ascensão. Tudo se passa numa Finlândia onde as leis são cumpridas com severidade.

“A Europa hoje vive olhando pro seu próprio umbigo sem entender as pessoas que chegam até a gente, necessitadas de ajuda, como seres humanos”, disse o cineasta na Berlinale. “O riso é uma forma de convidar o público à reflexão”.

 

 

 

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