Filme mexicano expõe a loucura do colonialismo nas telas do Cine Ceará

Filme mexicano expõe a loucura do colonialismo nas telas do Cine Ceará

Rodrigo Fonseca

17 de junho de 2016 | 10h20

“Epitáfio”: insanidade em foco

Marcado pela tradição de desbravar o lado mais autoral e, muitas vezes, obscuro, do cinema latino-americano, o Cine Ceará, em sua 26ª edição, iniciada na noite de quinta-feira, em Fortaleza, caminha na noite desta sexta para o âmago de um vulcão com um épico obrigatório, vindo do México: Epitáfio. Dirigido por Rubén Imaz e Yulene Olaizola com um timbre de tensão crescente, o longa-metragem mexicano, em competição no certame cearense, é uma ave rara na seara hispânica por investir em um enfretamento da Natureza com uma abordagem capaz de evocar o Herzog de Aguirre, a Cólera dos Deuses (1972) em sua análise da onipotência e da loucura. Encontra-se também um tom existencial sartriano típico de Entre Quatro Paredes (1944) na qual personagens convivem para fazer escoar o inferno incrustado em suas almas. Os protagonistas aqui são três colonizadores espanhóis que, em 1519, resolvem explorar a máquina de lava chamada Popocatepetl, atrás de uma reserva de enxofre. A jornada vai levá-los a uma guerra contra uma fornalha viva, numa paisagem de difícil acesso, que serve de cenário para uma radiografia da insanidade. É possível tratar um diálogo entre ele e o magistral O Abraço da Serpente, do colombiano Ciro Guerra. Mas ali era selva e dela vinha a harmonia. Aqui, o bafo da montanha de fogo fumega pistas para ranços de bestialidade na essência dos homens. As atuações são magistrais, sobretudo a de Xabier Coronado.

 

É um achado da curadoria, que exibe neste sábado um trabalho de atuação de Julio Andrade no concorrente brasileiro Maresia, de Marcos Guttmann. Seu elenco traz o veterano dublador Pietro Mário como um misterioso ancião com segredos acerca de um pintor dado como morto. A trama vem do romance Barco a Seco, de Rubens Figueiredo.

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