Fidalgo Portugal: cineasta brasileira ganha retrospectiva na Europa

Fidalgo Portugal: cineasta brasileira ganha retrospectiva na Europa

Rodrigo Fonseca

31 de maio de 2019 | 07h22

A cineasta Sabrina Fidalgo na Galeria Casa 70, de Lisboa, que exibe sua obra neste sábado @foto de Felipe Drehmer

Rodrigo Fonseca
No apogeu de uma carreira que alia provocação e delicadeza, no paradoxo vivo de uma artista que faz da afirmação do feminino e da afirmação de sua identidade afro-brasileira um meio de (re)pensar as formas de expressão do Real em nossas telas, Sabrina Fidalgo anda agora pelos céus de Lisboa, onde tem uma retrospectiva de si mesma para apresentar neste sábado: no 1º de junho, a galeria Casa 70, na capital lusa, vai passar a obra da diretora carioca em revista. É hora de os portugueses conferirem joias como “Rainha” (que tem uns 13 prêmios no currículo, construído ao redor de 130 festivais planeta adentro) e “Personal Vivator”. No comecinho de março, tempo de folia, o P de Pop conversou com a diretora carioca de 38 anos, que anda arrebatando aplausos mundo afora, nos sets de seu mais recente projeto, agora em fase de  finalização, “Alfazema”, uma experiência de sinestesia entre Deus (Elisa Lucinda) e espíritos do Bem e o do Mal na farra de Rei Momo. Talentos como os de Shirley Cruz, Bruna Linzmeyer, Bianca Joy Porte e Victor Albuquerque se juntam a Elisa, em cena. Tomara que festivais como Locarno e Veneza percebam essa potência poética dela, que já despertou a atenção do Velho Mundo. Em janeiro, ela integrou o coletivo Soul in the Eye do Festival de Roterdã que fez uma triagem da produção (de diferentes épocas) de cineastas negras e negros do Brasil. Ela já tem dois projetos de longa-metragem em andamento: o documentário “Cidade do Funk” e a ficção “Bolero”, cuja trama faz uma ponte entre o Rio e a França. No dia 26 de junho, vai haver mais uma apresentação de Sabrina na Europa, em Oslo, na galeria Golden Mirror Arts Norway, na sala Vega Scene. E estão em negociação datas para exibições dela em Berlim e na Galerie du Jour – Agnès B, em Paris. Conheça a seguir como essa diretora vê seu papel na indústria audiovisual.

O que essa jornada por Portugal tá trazendo de mais sólido para a sua filmografia, como descoberta artística?
Sabrina Fidalgo:
Pra mim, ela tem sido uma descoberta em muitos aspectos, principalmente, no encontro com a África lusófona. Portugal é o lugar onde o Brasil encontra a África. E isso tem sido revelador. Estou amando conhecer a cultura angolana, cabo-verdiana, moçambicana. Conhecer seja por via da comida, da cultura, dos encontros com os filhos ou netos de imigrantes ou com os próprios imigrantes. Ouvir português “criolo”, dançar kuduro… tudo isso é incrível! E está acontecendo uma pequena grande revolução nesse aspecto aqui e é bonito de ver, presenciar e sentir. É uma onda global. O evento de amanhã aqui em Lisboa é a primeira edição do Cine70, uma mostra de filmes independentes da Casa70 Lisboa, galeria de arte contemporânea de Elisangela Valadares, criadora da feira Arte Rio.

O que a plateia cinéfila de Lisboa pode esperar desse evento de sábado?
Sabrina Fidalgo: Um cinema com a cara do Brasil em busca de uma linguagem contemporânea, mas que dialoga com o passado e o futuro. Filme de mulher preta, brasileira, cosmopolita e vanguardista.

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