Festival Varilux sob ‘Custódia’ de Ménochet

Festival Varilux sob ‘Custódia’ de Ménochet

Rodrigo Fonseca

28 Maio 2018 | 18h38

Denis Ménochet é um pai de família às voltas com uma separação em “Custódia”

Rodrigo Fonseca
Barrigudinho, desgrenhado e emburrado, com um look à la Brutus, Denis Ménochet é um velho conhecido dos brasileiros: foi o Sr. LaPadite, em Bastardos Inglórios (2009) e viveu o piloto de avião de 7 Dias em Entebbe, de Zé Padilha. Dos atores franceses da moda, poucos têm o carisma dele ou sua potência para encarnar a loucura, como se vê em Custódia, um dos achados do Festival de Veneza de 2017, já confirmados para o Varilux 2018 no Brasil. Este drama, sobre os efeitos devastadores de uma separação sobre um homem abusivo, rendeu o Leão de Prata de melhor direção para o estreante Xavier Legrand e pode ser conferido entre as 21 pérolas inédita garimpadas pela nossa maratona anual de longas franceses, que, este ano, vai de 7 a 20 de junho, em 63 cidades do país. Há um pacote de atrações novinhas em folha e um clássico do cinema político, de 1969 (Z, de Costa-Gavras, em cópia nova) no pacote do evento. Tem muita coisa boa, mas Jusqu’à la Garde (título original da gema pilotada por Legrand) bate fácil a concorrência. Fora o troféu veneziano, ele conquistou ainda o prêmio de júri popular em San Sebastián, na Espanha, depois da comoção que causou nas plateias ao narrar o processo de embrutecimento e loucura de Antoine (Ménochet) depois que perde a guarda integral de seus filhos. O que parece folhetim, embora dirigido com uma mirada quase documental, explode na tela feito thriller.