Festival do Cairo abre a ‘Memory Box’ do cinema

Festival do Cairo abre a ‘Memory Box’ do cinema

Rodrigo Fonseca

25 de novembro de 2021 | 12h03

Amores avassalados por conflitos políticos do Líbano contagiam “Memory Box”, de Joana Hadjithomas e Khalil Joreige

RODRIGO FONSECA
Penélope Cruz, Antonio Banderas e Oscar Martínez vão abrir a 43ª edição do Festival do Cairo, sexta agora, à frente de “Competencia Oficial”, uma das melhores comédia do ano, pilotada pelos argentinos Mariano Cohn e Gastón Duprat, que abre uma leva de produções das mais variadas latitudes. Tem potenciais candidatos a Oscar na maratona egípciia, como “Drive My Car”, de Ryusuke Hamaguchi; “C’Mon C’Mon”, com a Joaquin Phoenix; “House of Gucci”, com Lady Gaga e Adam Driver; e “King Richard”, com Will Simth. Uma das principais apostas do evento veio da seleção da Berlinale 2021: “Memory Box”. Esse drama de Joana Hadjithomas e Khalil Joreige garantiu ao cinema libanês um mar de lágrimas e um fã-clube organizado em torno desse casal de realizadores. Todo o respeito de que já desfrutavam pelo cult “Je Veux Voir” (2008) amplia-se agora, em que eles revisitam o Líbano do início dos anos 1980, em meio a uma guerra. Essa revisita se dá a partir da ótica de uma adolescente que está descobrindo o mundo com a ajuda do rock’n’roll, de parques de diversão, de beijos na boca. A tocante narrativa, indicada ao Urso de Ouro, é contada em dois tempos, com base nas vivências de Maia, inspiradas em lembranças pessoais da própria Joana. No filme, Maia mora há anos no Canadá, com a filha, evitando recordar o que viveu em sua terra natal. Mas ao receber uma caixa com antigos pertences de sua juventude, ela vai revirar um baú de mágoas e tentar impedir que o Ontem destrone o Presente.
“Tentamos retratar a memória com texturas distintas, para realçar o fato de que abandonar o passado nem sempre é viável”, disse Joana, ao P de Pop. “O grande dilema de uma sociedade é entender como se reconectar. Algumas gerações souberam lidar com o que houve. Outras, não. E as mulheres têm um papel importante de encontrar sua voz entre mundos que se reconectam. Daí ser um filme tão feminino”.

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