Festival de Macau quer ser Cannes da Ásia

Festival de Macau quer ser Cannes da Ásia

Rodrigo Fonseca

14 de novembro de 2016 | 10h14

“Polina, Danser sa Vie”, drama de balé com Juliette Binoche, será a atração de abertura do festival chinês, no dia 8

RODRIGO FONSECA

Canteiro da língua portuguesa nos rincões da China, Macau vai abrigar o que promete ser “o Festival de Cannes da Ásia”, ao acolher, de 8 a 13 de dezembro, uma seleção competitiva de longas-metragens capaz de juntar exercícios de radicalidade autoral a potenciais blockbusters de toada pop. Até o Brasil terá vez no primeiro International Film Festival & Awards Macao (IFFAM), ou apenas Festival de Macau, que escalou o thriller mineiro Elon Não Acredita na Morte, de Ricardo Alves Jr., pelo qual Rômulo Braga ganhou o troféu Candango de melhor ator em Brasília, em setembro. Suspense de narrativa nada convencional, no qual o Elon do título busca o paradeiro de sua mulher desaparecida, o filme de Alves Jr. está em disputa no evento chinês, contra dez outras produções de diferentes línguas. A largada para a competição será dada após a projeção hors-concours do drama Polina, danser sa vie, de Valérie Müller e Angelin Preljocaj, com Juliette Binoche no mundo do balé.

“Elon Não Acredita na Morte”: de MG a Macau, com suspense e invenção

Na seleção de concorrentes entraram filmes aclamados mundialmente como São Jorge, drama social lusitano chamado de “o Rocky Balboa português”, pelo qual o lisboeta Nuno Lopes ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza, na seção Horizontes, ou o thriller hospitalar francês 150 Miligramas, de Emmanuelle Bercot. Direto de Toronto chegou o policialesco Free Fire, filme inglês de Ben Wheatley, com Brie Larson e Sharlto Cooper. Também do Reino Unido foi importado o thriller de ação Trespass Against Us, de Adam Smith, com Michael Fassbender e Brendan Gleeson afogados no histórico de crimes de sua família.

“Sisterhood”, de Tracy Choi: prata da casa

Do cardápio audiovisual da China, entraram para briga dois filmes. Um deles é Hide and Seek, uma trama de mistério de Liu Jie sobre um homem com TOC em busca de segredos de seu passado na parte mais perigosa de sua cidade. O outro é uma prata da casa: Sisterhood é uma produção de Macau dirigido pela cineasta Tracy Choi. Na trama, uma jovem que deixou a região para estabelecer uma família em Taiwan tem que voltar para sua terra natal a fim de participar do funeral de sua melhor amiga.

“Toni Erdmann”: Oscar à vista

Na ala hors-concours, tem Brasil de novo num pacote de pepitas garimpadas de outros festivais, sobretudo os do Ocidente, como Sundance e Berlim, de onde saiu o possante Indignação, produzido pela RT Features de Rodrigo Teixeira, com direção de James Schamus. Do ladinho dele, chega o título mais cotado ao Oscar de filme estrangeiro de 2017: a comédia alemã Toni Erdmann, de Maren Ade, agraciada com o prêmio da crítica em Cannes. Para incrementar sua oferta de pérolas, o IFFAM ainda separou uma penca de clássicos recauchutados, entre eles Rififi (1955), de Jules Dassin, Olhos Sem Rosto (1960), de Georges Franju, e o faroeste cult Três Homens em Conflito (também chamado O Bom, o Mau e o Feio), de Sergio Leone, que completa 50 anos em 2016.

O pacotão da porção lusitana da China promete uma hemodiálise narrativa para o cinema. Vejamos…