Festival de Berlim seleciona bangue-bangue gaúcho

Festival de Berlim seleciona bangue-bangue gaúcho

Rodrigo Fonseca

18 Janeiro 2017 | 11h41

“Rifle”, ganhador dos prêmios de melhor som e melhor roteiro em Brasília, vai para a Berlinale

RODRIGO FONSECA
Um dos filmes mais inquietantes do último Festival de Brasília, marcado por uma reflexão sobre território como pertença e como identidade, Rifle, de Davi Pretto, uma espécie de bangue-bangue gaúcho, vai integrar a seção Fórum da Berlinale 67 (9 a 19 de fevereiro), em projeção paralela à disputa pelo Urso de Ouro. Laureado com o prêmio de melhor roteiro e o de melhor som em território brasiliense, o novo longa-metragem do realizador de Castanha (2014) acompanha a realidade de uma estância rural nos cafundós do Brasil que será palco de uma luta (armada) por posse. Violência se deflagra sob o local quando um fazendeiro rico esboça o desejo de comprar uma pequena propriedade cujo faz-tudo, Dione (vivido pelo estreante e não-profissional Dione Ávila de Oliveira), vai reagir ao assédio do poderoso potencial comprador com a arma do título. A narrativa, baseada em um processo observacional minucioso, cria um clima sufocante de tensão.

Desde 2008, ano da vitória de Tropa de Elite na Berlinale, não se via uma esquadra brasileira tão ampla no evento germânico. Até o momento, contando com Rifle, a participação brasileira inclui oito longas. Na competição oficial concorre Joaquim, de Marcelo Gomes, sobre os bastidores da Inconfidência Mineira. Na seção Panorama, ainda não completa, entraram Pendular, de Julia Murat, e Vazante, de Daniela Thomas. Na mostra Geração, estão A Mulher do Pai, de Cristiane Oliveira, As Duas Irenes, de Fábio Meira, e Não Devore Meu Coração, de Felipe Bragança. Entraram ainda os curtas Estás Vendo Coisas, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca (este na briga pelo Urso de Ouro) e Em Busca da Terra Sem Males, de Anna Azevedo (que ficou na mostra Generation KPlus. E João Moreira Salles lançará o seu No Intenso Agora por lá no Panorama Dokumente, encerrando um jejum de dez anos sem lançar filmes depois da consagração de Santiago.

 

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