Festival da Transilvânia regressa ‘Sentimental’

Festival da Transilvânia regressa ‘Sentimental’

Rodrigo Fonseca

24 de maio de 2021 | 17h19

RODRIGO FONSECA
Temperos cinematográficos espanhóis vão dar um sabor ibérico à celebração dos 20 anos do Festival da Transilvânia, a ser realizado de 23 de julho a 1º de agosto em Cluj-Napoca, a maior cidade da Romênia, famosa por ter sediado o principado que teria servido de lar ao Conde Drácula no século XV. A Espanha vai ser o país homenageado por essa maratona cinéfila, que fechou uma parceria com o Festival de San Sebastián para trazer de lá uma série de atrações, como “La Hija de un Ladrón”, de Belén Funes. O cardápio de atrações hispânicas inclui “Ane”, de David Pérez Sañudo; “Explota explota”, de Nacho Álvarez; “Viaje Al Cuarto de una Madre”, de Celia Rico Clavellino; “La Última Primavera”, de Isabel Lamberti; “Hil kanpaiak”, de Imanol Rayo; e a série “Antidisturbios”, de Rodrigo Sorogoyen. O prato principal dessa homenagem à terra de Pedro Almodóvar é o mais recente trabalho do diretor catalão Cesc Gay: “Sentimental”. O título internacional é “The People Upstairs”. A trama vem de uma peça de sua lavra, “Los Vecinos de Arriba”, que vendeu cerca de 500 mil entradas em palcos ibéricos e nas Américas.
“Já falei de finitude, já desafiei o senso latino de virilidade, mas a questão que me importa é falar da fragilidade sem cair no lado caricato dos excessos do querer”, disse Cesc ao P de Pop quando “Los Vecinos de Arriba” virou uma febre nas artes cênicas.

Projeções no Festival da Transilvânia

Cesc ainda é conhecido entre os brasileiros pela comédia em episódios “O Que os Homens Falam”, lançada em solo nacional em 2014. Naquele filme em segmentos, hoje em cartaz na Amazon Prime, ele iniciou uma parceria com Ricardo Darín, injetando um pouco da comicidade argentina nas veias de Barcelona. Mas Darín não volta em seu novo longa e, sim, um outro parceiro: Javier Cámara, também visto em “Truman”. Ao lado de Cámara, estão os talentos de Belén Cuesta, Griselda Siciliani e Alberto San Juan. Nenhum dos quatro esteve nas montagens teatrais. E eles se combinam numa história de ciúmes, provocações e acomodações dos ritos do dia a dia. “Fomos criados no melodrama e aos exageros do folhetim voltamos, para poder redesenhá-lo”, disse Javier ao Estadão em uma entrevista no México, em 2018.

No enredo de “Sentimental”, Julio (Cámara) e Ana (Griselda) vivem o ocaso do desejo em seu casamento. Um jantar oferecido por eles a seus novos vizinhos, Laura (Bélen) e Salva (San Juan), detona um mar de angústias – e de situações hilárias – a partir de uma proposta inusitada. “A ironia pode levar à amenidade ou a uma renovação”, disse Cesc.
Até meados de julho, o Festival da Transilvânia anuncia sua programação completa, sendo que o homenageado deste ano é o diretor romeno Nae Caranfil, de “Mais Perto da Lua” (2014).

p.s.: Laureado com o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza de 2007, “Neste Mundo Livre…” (“It’s a Free World…”), um ensaio investigativo sobre os males morais do desemprego, promovido pelo aclamado realizador inglês Ken Loach, nunca estreou comercialmente no Brasil, mas acaba de ser anexado ao menu da MUBI. O longa consagrou a atriz de TV Kierston Wareing, aqui em seu primeiro papel de protagonista na telona. Ela interpreta Angie, jovem sem trabalho que arruma um veio de renda rentável ao se tornar uma agente de empregos para imigrantes estrangeiros (sobretudo os ilegais). Oura joia de Loach está em cartaz no www.mubi.com: “Ventos da Liberdade” (“The Wind That Shakes the Barley”, 2006). Esta reconstituição da guerra de libertação da Irlanda, em sua luta contra a opressão inglesa, rendeu a primeira Palma de Ouro do cineasta e confirmou o prestígio de Cillian Murphy como ator. Ele encarna Damien, médico que comandou a briga pela autonomia republicana da Irlanda, em 1920, ao lado de seu irmão (e futuro algoz) Teddy (Pádraic Delaney).

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