Festivais prestigiam ‘Gagarine’, em curta e longa

Festivais prestigiam ‘Gagarine’, em curta e longa

Rodrigo Fonseca

19 de julho de 2021 | 12h00

O adolescente Youri (Alseni Bathily) encara uma transformação no conjunto habitacional onde vive por conta da gentrificação

Rodrigo Fonseca
Paralisado desde 2019, quando promoveu uma Première Brasil lendária, vencida por “Fim de Festa”, o Festival do Rio encontrou um meio de se reinventar online, numa parceria com o Telecine, promovendo, via web, até o dia 31, uma maratona de pérolas cinéfilas, entre as quais “Edifício Gagarine” (“Gagarine”), de Fanny Liatard e Jérémy Trouilh, que veio da França coroado de elogios. Sua projeção acontece nesta quarta, todo o dia, via www.telecine.com.br. Exibido presencialmente aqui no Festival Varilux, a produção nasceu de um curta-metragem homônimo. E este poderá ser conferido, também na internet, na mostra Curta em Francês – Espèces d’Espaces, organizada pela Aliança Francesa Brasil, em parceria com o SESC São Paulo, a partir deste 21 de julho. Sua programação, gratuita, pode ser acompanhada pela plataforma Sesc Digital, com 13 curtas sobre a temática da arquitetura, urbanismo e desenvolvimento territorial em diferentes direções.
Aclamado no Festival do Cairo e chancelado por Cannes, o longa “Edifício Gagarine” faz um estudo sobre sequelas da gentrificação, batizado em relação a um ídolo da corrida espacial. Xará do cosmonauta russo Yuri Gagarin (1934-1968), famoso por ter sido o astronauta pioneiro na viagem ao espaço, o adolescente Youri (Alseni Bathily) herda de seu ídolo um instinto de preservar a glória de seus conterrâneos na batalha do dia a dia contra o Capitalismo. Sua missão em “Gagarine” é proteger seu complexo habitacional. Este, situado nos arredores de Paris, foi batizado em tributo ao viajante estelar da URSS como Gagarine, com a aprovação municipal do Partido Comunista Francês. O explorador do espaço teve a honra de o inaugurar em 1963. Seus blocos de apartamentos (370, divididos em 13 andares) foram desintegrados da paisagem da periferia e seus habitantes acabaram sendo realojados, mas as memórias persistiram no local até sua demolição. Mas Youri faz o que pode para impedir essa destruição.

“Gagaraine”, o curta de 2015

Lançado em 2015, o curta “Gagarine”, também pilotado por Fanny e Trouilh também rastreia o ambiente dos centros habitacionais assolados por transformações urbanas. O filme entra na seleção da retrospectiva Espèces d´Espaces ao lado de clássicos como “Escola de Carteiros” (“L’école des facteurs”, 1947), de Jacques Tati, e de “O Amor Existe” (“L’Amour existe”, 1961), de Maurice Pialat, além do magistral “Correspondance privée sur un lieu public” (1988), de Jeanne Labrune. Entre os títulos mais recentes, confira “Edgar Morin, un penseur à Paris” (2019), de Momoko Seto, e a animação “Roues-libres” (2017), de Jacinthe Folon.

p.s.: O diretor Fabio Fortes estreia, nesta sexta-feira, uma adaptação virtual da premiada peça “Conselho de Classe”, de Jô Bilac. O texto, que inspirou a série “Segunda chamada”, da Globo, reflete sobre a precariedade do ensino público no país e as relações de poder nas escolas. Nesta montagem, as atrizes Carmen Frenzel, Dárdana Rangel, Jacqueline Lobo e Vivian Sobrino vivem um grupo de professoras que têm uma atribulada reunião virtual com o novo diretor de uma escola pública, interpretado por Fábio Enriquez. “Eu e os atores adaptamos a peça para o ambiente virtual, levando em conta os novos desafios enfrentados pelos professores e alunos durante a pandemia, com aulas virtuais e o uso da tecnologia. Eu e todo o elenco somos professores, além de atores, e queremos refletir como a educação no nosso tempo está ultrapassada”, observa o diretor Fabio Fortes. Com sessões ao vivo de sexta a domingo, às 20h, o espetáculo será exibido gratuitamente no Youtube do festival Niterói em Cena (https://bit.ly/2YU6VzI), com possibilidades de contribuição voluntária.

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