Festa do cinema italiano tem Sorrentino inédito e super-herói romano

Festa do cinema italiano tem Sorrentino inédito e super-herói romano

Rodrigo Fonseca

13 de agosto de 2016 | 15h37

Sucesso em Cannes,

Sucesso em Cannes, “Loucas de Alegria”, de Paolo Virzì, abre a 8 1/2 Semana do Cinema Italiano, no dia 25, mobilizando sete cidades brasileiras

RODRIGO FONSECA

Pátria de Fellini, de Antonioni, de Ettore Scola e muitos outros titãs, a Itália vai ganhar um espaço nobre nas telas brasileiras a partir do dia 25 de agosto, numa mostra de longas-metragens inéditos, com uma seleção do que se faz de melhor no cinema de lá nos últimos 15 anos, a começar de uma pérola revelada pela Quinzena dos Realizadores do último Festival de Cannes: Loucas de Alegria (La Pazza Gioia), de Paolo Virzì. Com duração até 31 de agosto, a 8 ½ Semana do Cinema Italiano vai mobilizar um circuito de salas (a maioria da rede Espaço Itaú) em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre com a nata da produção de cults e filmes de gênero da terrinha de Marcello Mastrioanni. Centrado na amizade entre duas internas de um sanatório (Valeria Bruni Tedeschi e Micaela Ramazzotti), o drama de Virzì será a atração de abre-alas. Tem até filme de super-herói no pacote: o divertido Meu Nome é Jeeg Robot (Lo Chiamavano Jeeg Robot, 2015), de Gabriele Mainetti, sobre um vigilante superpoderoso de Roma. E inclua no menu de massas ao sugo um recente longa de Giuseppe Tornatore (de Cinema Paradiso): o mel Amor Eterno (La Corrispondenza), com Jeremy Irons e Olga Kurylenko num amor entre gerações distintas.

“As Consequências do Amor”: Sorrentino zero KM no Brasil, desde 2004

Mas o grande presente deste evento é a chance de vermos em tela grande, com pompa, um dos primeiros longas do polêmico Paolo Sorrentino, ganhador do Oscar por A Grande Beleza em 2013. Ele e seu muso, Toni Servillo, o Raul Cortez da Itália, unem os talentos em As Consequências do Amor (Le Conseguenze Dell’Amore), uma love story mafiosa indicado à Palma de Ouro em Cannes em 2004 e, até hoje, sem tela em circuito brasileiro. Numa atuação devastadora, como lhe é peculiar, Servillo encarna o taciturno consultor financeiro Titta di Girolamo, que passa os dias enfurnado em um hotel suíço onde espia, quietinho, os movimentos lânguidos da garçonete Sofia, vivida pela morena Olívia Magnani (neta da deusa da atuação Anna Magnani). Ele tem ligações com a Camorra, a máfia napolitana, o que justifica os rios de dinheiro que são deixados à sua porta. Contar verdinhas, para ele, é uma tarefa a ser feita no dedo, sem o uso de máquinas que separam cédulas, pois, segundo ele, “é preciso darmos uma chance ao ser humano”. Mas o processo de espiar cada respiração de Sofia vai dar uns avanços… poucos… Isso se desafetos do passado deixarem. Mas até lá, como é típico de Sorrentino, flanamos por Lugano, na Suíça, entre bares, bancos e escadas rolantes, de cigarro em cigarro, de silêncio em silêncio. Trata-se de um Sorrentino mais cálido e mais introspectivo, num ensaio para a potência verborrágica que ele desenvolveria a seguir, brindando-nos com joias como A Juventude (2015).

“As Confissões”, de Roberto Andò

Servillo reaprece nesta 8 ½ Semana do Cinema Italiano com o thriller As Confissões (Le Confessioni), do novo papa do cinema político no país do ator: Roberto Ando, mesmo do delicioso Viva a Liberdade (2013). Aqui, um encontro do G8 na Alemanha pode dar um novo caminho para a segurança econômica do planeta.

Enfim… o que não falta é filme bom nesse empório batizado em referência ao clássico felliniano, o eterno 8 ½ (1963).

p.s.: Falando de Itália, o quadrinho mais famoso daquelas terras, Tex, acaba de ganhar uma edição especial de aquisição obrigatória por todo mundo que curte HQ: a graphic novel em cores Frontera!, já nas bancas. O roteiro é de Mauro Boselli e o traço (cheio de alusões à estética de Sergio Leone) é de Mario Alberti. O ranger aparece aqui mais jovem, ajudando uma beldade a cumprir sua vingança. Há nele uma dose apimentada de incorreção política incomum ao pistoleiro criado por Gianluigi Bonelli. A edição é da Mythos, com precinho camarada.

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