16º Aruanda navega em águas de Laís Bodanzky

16º Aruanda navega em águas de Laís Bodanzky

Rodrigo Fonseca

09 de dezembro de 2021 | 10h27

Cauã Reymond em “A Viagem de Pedro”: filme abre o evento paraibano esta noite

RODRIGO FONSECA
Com exibição na mostra competitiva no 23º Festival do Rio agendada para o dia 15, no Lagoon, “A Viagem de Pedro”, o novo longa-metragem de Laís Bodanzky, tem um compromisso com as plateias paraibanas esta noite. É a jornada de autodescoberta de D. Pedro I (1798-1834) que vai dar a largada para o 16º Festival de Aruanda, nesta quinta-feira. A trama protagonizada por um inspirado Cauã Reymond se passa em 1831, durante a travessia do Atlântico. Em uma fragata inglesa rumo à Europa, o ex-imperador do Brasil busca forças físicas e emocionais para enfrentar seu irmão, Dom Miguel (Isac Graça), que usurpou seu reino em Portugal. Pedro se vê doente e inseguro. Ele entra na embarcação em busca de um lugar, de uma pátria, de si mesmo. A fotografia de Pedro J. Márquez é um primor. Além desse novo exercício autoral de Laís, a maratona cinéfila de João Pessoa, que conta com 70 produções em sua grade, vai exibir o curta “A Canga”, marco no cinema paraibano, que tem a personagem principal interpretada por W. J. Solha – um dos homenageados deste Aruanda. Quem pilota o evento é o crítico e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Lúcio Sérgio de Oliveira Vilar, que reuniu candidatos a cult em sua competição de longas. Concorrem “Capitu e o Capítulo”, de Julio Bressane; “Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente”, de Cesar Cabral; “A Felicidade das Coisas”, de Thais Fujinaga; “Salamandra”, de Alex Carvalho; e “Madalena”, de Madiano Marchetti.
“Nosso festival é caçula em relação aos do Ceará e de Pernambuco, daí ter uma trajetória diferenciada, uma vez que apostou inicialmente na linha documentarista. Esse foi o DNA, ao longo do século 20, da cinematografia paraibana, desde o ‘cinema silencioso’, na década de 1920. Mas o Aruanda foi num crescendo, em paralelo com a própria evolução da produção contemporânea local, via eclosão do suporte digital que coincide com sua fundação em 2005”, diz Lúcio Vilar. “O evento, que passou por um processo de construção em fases, chega aos 16 anos consolidado, reiterando a ‘prata da casa’, que teve um salto de qualidade exponencial nos últimos cinco anos, mas sem perder de vista, e de olho, no âmbito nacional, com um primeiro aceno com produções de curta-metragistas de Portugal e União Europeia, esse ano. Chegamos à adolescência, portanto, com identidade própria e abertos ao trânsito com outros territórios e nacionalidades como forma de favorecer os diálogos ‘aruandeiros’”.
Além de W. J. Solha, o Fest Aruanda preparou homenagens para a montadora Cristina Amaral e o ator Othon Bastos. O festival chega ao fim no dia 15.

p.s.: Um dos eventos brasileiros de maior relevância internacional na luta pela inclusão social, a Festa Literária da Periferia (FLUP) participa do 23º Festival do Rio com um curta-metragem imperdível: “VIVXS!”, dirigido por Claudia Schapira, Roberta Estrela D’Alva e Tatiana Lohmann. Em um encontro diaspórico, poetas de diferentes partes do mundo se reúnem no Cais do Valongo, o maior porto de escravizados da História da Humanidade. Na companhia de ancestrais guardiões, com um visual de Exu e de pombajira, interpretados por Estrela D’Alva e Saul Williams, prestam homenagens aos povos da rua e proclamam mais uma vez que as vidas e a vozes negras importam. Lohmann assina a vertiginosa montagem do filme.

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