Fantasporto entre Tolstói e zumbis gourmet

Fantasporto entre Tolstói e zumbis gourmet

Rodrigo Fonseca

28 de fevereiro de 2018 | 22h00

Armas são antídotos contra os canibais de “Les Affamés”, do Canadá

Rodrigo Fonseca
Festivais de gênero como o Fantasporto são usinas de produzir cults e dois filmes do menu 2018 da maratona fantástica portuguesa que mais potência apresentam para se tatuarem nas retinas dos espectadores são Os Famintos, do Canadá, e Anna Karenina, Vronsky’s Story, da Rússia. Ambos foram aclamados em terras lusas pelo rigor formal que esbanjam. O primeiro – dirigido por Robin Aubert e mais conhecido por seu título francês, Les Affamés – é um filme de zumbi gourmet, no qual uma sociedade rural é assolada por uma peste que transforma pessoas em canibais. Só balas, facões e sons de sanfona (!!) consegue deter as bocas nervosas por carne humana. Já o longa com CEP russo é uma espécie de posfácio do pilar literário de Tolstói narrado pelo cineasta Karen Shakhnazarov a partir da recriação do conflito entre eslavos e japoneses no início do século XX. Em 1904, na Manchúria, o diretor de um hospital militar se dá conta de que um de seus feridos é o homem que levou sua mãe, “a” Karenina em pessoa, à loucura de amor. Ambos os longas flertam com a insanidade e a quebra de padrões morais, retratando composições familiares inusitadas. Tem Fantasporto até domingo, com dose pesada de Brasil na veia nesta sexta, com séries (Vade Retro, Carcereiros) e teleflme (Meio Expediente) da TV Globo e a chanchada metafísica A Comédia Divina, de Toni Venturi, a disputar prêmios em solo ibérico.   

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