Fanny Ardant, ‘la femme d’à côté’ do Varilux

Fanny Ardant, ‘la femme d’à côté’ do Varilux

Rodrigo Fonseca

22 de junho de 2022 | 13h04

Fanny Marguerite Judith Ardant em “Os Jovens Amantes”

Rodrigo Fonseca
Com cinco filmes já rodados (entre eles “Les Volets Verts”, de Jean Becker) e dois longas em filmagem, a estrelar Fanny Marguerite Judith Ardant tem um compromisso com o 13º Varilux, o anual encontro do cinema francês com o circuito brasileiro: cabe a ela ceder seu carisma ao evento mais uma vez. Agora, aos 73 anos, ela ilumina as telonas com “Jovens Amantes” (“Les Jeunes Amants”), de Carine Tardieu. Vai haver sessão dele no Rio de Janeiro nesta quinta, no Estação NET Gávea, às 16h15, com repeteco na sexta, às 15h50, no Estação NET Botafogo. Até 6 de julho, umas 50 cidades brasileiras vão conferir o talento de Fanny nessa produção, que fz parte da seleção de 19 títulos da maratona francófona dirigida por Emmanuelle e Christian Boudier. Cada vez mais brilhante em cena, a atriz utiliza todo o ferramental cênico que acumulou desde “A Mulher do Lado” (1981) para traduzir o empoderamento de uma septuagenária que se recusa a ser refém dos ditames sociais do etarismo e do sexismo. Nesta trama, Fanny brilha no papel de Shauna, uma mulher de 71 anos que reencontra um antigo amor, Pierre (Melvil Poupaud, um ator em fase de apogeu profissional), hoje com 45. Opostos em suas crenças, mas hipnotizados um pelo outro, eles se reconectam, enquanto Shauna, que já é mãe, avó e viúva, quer reafirmar sua potência apesar da diferença de idade entre eles. Cécile de France brilha no elenco também.
Há dois anos, Fanny acrescentou o troféu César de melhor atriz coadjuvante a seu currículo de prêmios. Venceu por “La Belle Époque”, de Nicolas Bedos, sobre corações partidos que voltam no tempo – de maneira alegórica – para reviverem seus melhores momentos, num processo de recriação de memórias.
“Eu dirigi filmes que fala de família e de laços de afeto ao mesmo tempo em que concebi uma série de narrativas que se pautavam pelo amor. Falar de amor é falar de pertencimento. Gosto de filmes sobre tensões familiares, em parte, porque eu tenho uma conexão muito forte com minhas filhas e todos os meus parentes. Sou protetora, gosto de ter todo mundo perto e iria até às últimas consequências para resguardar quem eu amo. Tento levar esse sentimento ao cinema, expressando a intensidade do querer”, disse a atriz ao Estadão, em Paris, durante o fórum Rendez-vous Avec Le Cinéma Français, em janeiro.

A Mulher do Lado

Em 1981, Fanny, que cresceu em Mônaco e engatou uma carreira no teatro a partir de 1974, protagonizou o já citado “A Mulher do Lado”, tendo Gérard Depardieu (seu grande amigo e colaborador até hoje) como parceiro de cena, trabalhando sob a direção de Truffaut. Ela e o cineasta se apaixonaram, tiveram uma filha (Joséphine, em 1983) e fizeram mais um filme, “De Repente Num Domingo”, que rendeu a ela uma indicação ao César em 1984. Naquele mesmo ano, Truffaut morreu, em decorrência de um tumor no cérebro, deixando para trás um dos mais poéticos legados do cinema francês. Dele, Fanny guardou saudades e lições sobre como se comportar nos sets.
“Lembro bem da conversa inicial que tivemos e do cuidado que ele tinha de nunca deixar que a importância dada à feitura de um file ficasse de lado. A primeira vez que encontrei com ele para filmar ‘A Mulher do Lado’, ele me perguntou se eu tinha lido a sinopse do projeto e se tinha alguma questão sobre a personagem. Eu disse que não, sem demonstrar nenhuma dúvida, esbanjando certeza. Sentia que só no set, no corpo a corpo com o roteiro, filmando, eu entenderia na inteireza o que aquele projeto representava, como um espaço de criação. Ele percebeu aquilo e suspirou, pois a gente se entendeu ali naquele gesto”, disse Fanny. “Aprendi com François que, no cinema, você não pergunta, você sente. Você se abre aos sentimentos”.

“Kompromat”

Sábado, o Varilux ocupa o Cine Santa Teresa para exibir o thriller “Kompromat”, de Jérôme Salle. Prestes a completar 50 anos, aniversariando no dia 5 de julho, Gilles Lellouche é um dos atores de maior sucesso na França, tendo arrastado 2 milhões de pagantes aos cinemas para vê-lo em “Bac Nord: Sob Pressão”, no ano passado. Ele ainda fez fortuna como diretor, rodando “Um Banho de Vida”, em 2018. E ele brilha aqui nesta recriação da espetacular fuga de um diretor da Aliança Francesa da Sibéria. Vítima de uma trama orquestrada pelo FSB (Serviço Federal de Segurança da Rússia), esse intelectual, Mathieu, terá que se transformar em homem de ação para escapar de seu destino. E Lellouche sabe dar vida a brucutus muito bem. Em especial quando é dirigido por um bamba do gênero, como é o realizador de “Zulu” (2013).

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.