‘Fallout’: efeito Tom Cruise na ‘Tela Quente’

‘Fallout’: efeito Tom Cruise na ‘Tela Quente’

Rodrigo Fonseca

18 de janeiro de 2021 | 12h41

Philippe Maia dubla Tom Cruise na sexta aventura da franquia “Missão: Impossível”, que a Globo exibe nesta “Tela Quente”

Rodrigo Fonseca
Desde a criação da “Tela Quente”, em 1988, com “Caçadores da Arca Perdida” (1981), Thomas Cruise Mapother IV mobilizou a mais famosa sessão de cinema pipoca da TV aberta numerosas vezes, expondo aos brasileiros um binônimo de talento e carisma que fez dele um dos astros de maior prestígio popular da história do audiovisual. Investe-se demais em notícias sobre as polêmicas que ele se envolve, seja em sua vida afetiva atribulada, seja em seu temperamento explosivo, testemunhado em uma recente explosão de ânimos, no sets de filmagem do sétimo “Missão: Impossível”, na Europa. Produtor da franquia fundada em 1996, ele perdeu a paciência com uma parte de sua equipe que vacilou nos cuidados com a covid-19. Sua bronca ganhou manchetes, traduzindo seu perfeccionismo, mas também seu cuidado com a vida alheia. Cuidado esse que ele sempre traduziu nas telas em narrativas pautadas pelo heroísmo, como o sexto e brilhante tomo da saga de “Missão…”, com o agente Ethan Hunt, chamado “Efeito Fallout”, programada para a Globo naquele habitual canteiro das segundas à noite, onde o ator sempre fez sucesso cá por estes bandas. Há, por cá, uma torcida organizada em torno da estreia de seu “Top Gun: Maverick”, tardia sequência do fenômeno de 1986, prevista para julho. Até lá, enquanto o longa sobre batalhas aéreas não chega, resta curtir suas aparições na TV, como a desta noite, às 23h10.

Chega a dar vertigem (mas daquelas contagiantes) o conjunto ininterrupto de sequências de perseguição, tiroteios e lutas de “Efeito Fallout”, mais eletrizante episódio da (cines)série decalcada do seriado de TV “Missão: impossível”. Ela chegou aos cinemas há 25 anos, e soma, hoje, uma bilheteria de US$ 3,6 bilhões. Só este capítulo 7, que custou US$ 178 milhões, teve uma receita de US$ 791 milhões, concorrendo ao Bafta, o Oscar inglês, de melhor engenharia de som. A cada virada de roteiro deste novo filme brota uma sequência de ação mais engenhosa do que a outra, seja a briga em um banheiro (que lembra muito “True lies”) ou um antológico racha de helicópteros (que evoca “Risco total”). Nem parece que a direção foi feita pelo “palavroso” Christopher McQuarrie (ganhador do Oscar pelo roteiro de “Os Suspeitos”), que faz aqui algo tão (ou mais) exuberante do que o arranjo elétrico feito pelo mestre Brian De Palma no “Missão” original, lançado na segunda metade da década de 1990. Desde então, nenhuma das continuações das peripécias do agente Ethan Hunt (Cruise, mais inspirado do que seu habitual) desfruta do acabamento visual e do ritmo taquicárdico de montagem que “Mission: Impossible – Fallout” esbanja, em meio a viagens pelo mundo e intrigas de espionagem. É o filme definitivo de Cruise como produtor e o apogeu de Hunt como herói: mais maduro, mais humanizado, mais implacável. A tarefa dele aqui é corrigir um erro próprio: para proteger sua equipe, ele não foi capaz de reaver um carregamento de plutônio que será usado em um atentado terrorista para repaginar a geopolítica mundial. Ao correr atrás do material radiativo (e do atraso), Hunt terá que engolir um operativo da CIA mais bruto, porém mais sortudo do que ele: Walker (Henry Cavill, impecável). Numa trama de gato e rato construída como um fliperama, as leis da física se tornam um espetáculo à parte, contorcidas neste thriller sobre o senso de dever. No Brasil, Philippe Maia dubla Cruise, à perfeição.

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