‘Fale Com As Abelhas’ sobre a luz de Anna Paquin

‘Fale Com As Abelhas’ sobre a luz de Anna Paquin

Rodrigo Fonseca

24 de janeiro de 2021 | 10h59

Holliday Grainger dança com Anna Paquin em “Fale Com As Abelhas”

Rodrigo Fonseca
Envolvida neste momento no projeto “Monica”, sobre uma o dilema de uma mulher trans empenhada em cuidar da mãe, Anna Paquin, hoje com 38 anos, vem encantando as telas brasileiras com um desempenho comovente em “Fale Com as Abelhas” (“Tell It To The Bees”), da cineasta inglesa Annabel Jankel, um dos pilares do videoclipe nos anos 1970 e 80. Ele dirigiu clipes do Rush e de Elvis Costello e fez, para o circuito comercial, um cult com (o então casal) Meg Ryan e Dennis Quaid: “Morto ao Chegar” (1988). Dirigiu esse thriller em parceria com Rocky Morton. Na sequência, os dois dirigiram “Super Mario Bros.”, com Bob Hoskins e John Leguizamo, inspirado no icônico herói dos games da Nintendo. É um filmaço que amargou um brutal desprezo à época de sua estreia, mas envelheceu bem à beça. Annabel ainda apostou em animação, rodando um filme e uma série a partir do personagem Max Headroom, um host virtual de talk show. Sua carreira é, portanto, pluralíssima, embora não seja reconhecida com o respeito merecido. Respeito quem ela arranca, fácil, fácil, de quem mergulhar no zumbido de seu longa com Paquin. Nele, a atriz vencedora do Oscar de melhor coadjuvante por “O Piano”, Palma de Ouro de 1993, vive uma médica homossexual que enfrenta o preconceito de uma cidadezinha da Escócia dos anos 1950 ao se apaixonar por uma operária (Holliday Grainger) recém-abandonada pelo marido, carregando um filho ainda pequeno consigo. A Dr. Markham (Anna, em delicada atuação) herdou o consultório e o apiário de seu pai, sendo obrigada a voltar à cidadezinha onde nasceu para encarar seus fantasmas. Lá, ela é assombrada por um trauma de juventude, ligado à homofobia local. Mas ao conhecer Lydia (Holliday), ela vai viver um amor pautado pelo carinho e pela simplicidade, pelo menos enquanto a intolerância de seus conterrâneos deixar. A trama é baseada em romance da escritora Fiona Shaw, xará da atriz de “Dália Negra” (2006). A trilha sonora que embala o idílio de Markham é composta por Claire M. Singer.

p.s.: Nesta “Tela Quente”, às 23h30, a Globo exibe o fenômeno de bilheteria nacional “Minha Vida Em Marte” (2018), com Mônica Martelli e Paulo Gustavo vivendo amigos inseparáveis.

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