Eternamente Gondry

Eternamente Gondry

Rodrigo Fonseca

04 Outubro 2015 | 12h33

Microbe-et-gasoil Micróbio e gasolina

Cronista por excelência das artes do esquecimento e da rememoração, imortalizado no coração da cinefilia mundial com Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004), o francês Michel Gondry usou recordações de sua própria juventude na argamassa de seu mais recente longa-metragem, Miocróbio e Gasolina (Microbe et Gasoil), em cartaz da programação do Festival do Rio 2015. Com sessão nesta segunda, 20h, no Maison de France, o novo trabalho do cineasta é um reflexo do ótimo The We and The I, exibido em Cannes em 2012 e nunca lançado comercialmente aqui, no qual ele desbrava as veredas dos ritos juvenis, numa observação quase antropológica dos comportamentos e das inquietudes. Agora, o foco está sobre dois garotos, vítimas de bullying escolar, que decidem sair França adentro improvisando uma casa sobre duas rodas, fugindo dos percalços da estrada.

 

Autor de clipes lendários como Human Behavior, da esquimó Björk, Gondry se renova aqui ao se afastar da influência formal do surrealismo e se aproximar mais de narrativas de aventura, apoiando em sua referência cinematográfica mais afetiva: O Balão Vermelho (1956), de Albert Lamorisse.

p.s.: Outro destaque pop do Festival do Rio é Grandma, com Lily Tomlin, no auge da inspiração. É uma pedida obrigatória para o Oscar, com a veterana comediante de Um Espírito Baixou em Mim (1984) no papel de uma avó ranzinza às voltas com uma neta carente. A direção é de Paul Weitz.

p.s. 2: Outra pedida interessante da maratona cinéfila carioca é checar o que levou a francesa Emmanuelle Bercot a ganhar o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes (empatada com Rooney Mara por Carol) com o drama romântico Mon Roi. Ela forma um par (de devastar miocárdios) com Vincent Cassel numa trama sobre desmedidas amorosas.

p.s.3: Para gibizeiros afoitos: é obrigatória a leitura de Vampiro Americano: Segundo Ciclo – Parte 1, que a Panini acaba de soltar nas bancas, pelo selo Vertigo. Agora, um ser maligno chamado O Negociador vai disputar a jugular (e algo mais etéreo) de Peal Jones e Skinner Sweet nos EUA dos anos 1960. Detalhe para a sofisticação na arte do gaúcho Rafael Albuquerque.