Especulações para o 75º Festival de Cannes

Especulações para o 75º Festival de Cannes

Rodrigo Fonseca

24 de março de 2022 | 11h57

Daniel Kaluuya em “Não! Não Olhe!” (“Nope”), de Jordan Peele

RODRIGO FONSECA
Ainda que os olhos do mundo estejam voltados para os Oscars, há uma forte expectativa para o anúncio dos concorrentes à Palma de Ouro de Cannes, que realiza a 75ª edição de seu festival anual de 17 a 28 de maio deste ano. Estima-se que “Elvis”, de Baz Luhrmann, ou “Top Gun: Maverick”, com Tom Cruise, possam abrir o evento, mas nada está confirmado ainda. Outra opção de abertura, em competição, seria “Crimes of the Future”, do canadense David Cronenberg, com Viggo Mortensen. Fala-se em Viola Davis, Nicole Kidman, Michelle Yeoh e até na veterana Sophia Loren como potenciais escolhas para presidir o júri do evento. Fala-se desde já nos possíveis competidores:

“NÃO! NÃO OLHE!”, (“NOPE”) DE JORDAN PEELE (EUA): Depois do sucesso de “Nós” (2019), o aclamado realizador de “Corra!” (2017) volta à seara do assombra, apoiado em Daniel Kaluuya, Steven Yeun e Keke Palmer num elenco de peso. Na trama, um rancho de treinadores de cavalos testemunha a invasão de forças sobrenaturais que espalham o medo pela Terra.
“NOBODY’S HEART”, DE ISABEL COIXET (Espanha): A prolífica diretora catalã conhecida por cults como “Fatal” (2008) narra a desagregação de um casal vivido por Gugu Mbatha-Raw e Edgar Ramírez, com base em conto de William Boyd.
“PARALLEL WORLD”, DE NAOMI KAWASE (JAPÃO): Idealizado como um curta-metragem, essa trama da diretora de “Mães de Verdade” (2020) aposta no mel ao acompanhar a visitar de um rapaz a um observatório onde ele esteve, quando era estudante, há 15 anos. No local, ele encontra um bilhete que foi deixado pra ele, à época, pela coleguinha de escola por quem era apaixonado, mas nunca teve coragem de se declarar. É hora de correr atrás do atraso.

“Musik”, de Angela Schanelec

“ARGENTINA, 1985”, DE SANTIAGO MITRE (Argentina): No novo filme do aclamado realizador de “Paulina” (2015), Ricardo Darín integra um time de advogados que devassaram a junta militar responsável pela tortura durante a ditatura em seu país.
“THE OCCUPIED CITY”, DE STEVE MCQUEEN (Inglaterra): Um estudo documental do diretor de “Small Axe” sobre a ocupação dos nazistas na Holanda, a partir de uma pesquisa arquitetônica.
“ARMAGEDDON TIME”, DE JAMES GRAY (EUA): Anne Hathaway, Anthony Hopkins e Jeremy Strong estrelam este drama do diretor de “Ad Astra” (2018) sobre os dilemas de adolescer no Queens dos anos 1980.
“PASHMINA”, DE GURINDER CHADHA (Reino Unido): Nascida no Quênia, a cineasta inglesa de origem indiana aposta na linguagem de animação para narrar o périplo de uma adolescente pra descobrir sua ancestralidade a partir de um cachecol.
“LOS VIEJOS SOLDADOS”, DE JORGE SANJINÉS (Bolívia): O veteraníssimo diretor de “A Nação Clandestina” (1989) regressa à ficção para narrar a jornada de um grupo de revolucionários da América Latina hoje, numa luta contra contratempos do capitalismo.
“THE WHALE”, DE DARREN ARONOFSKY (EUA): Ganhador do Leão de Ouro de 2008 por “O Lutador”, o polêmico cineasta americano debate a gordofobia ao discutir a história de um professor (Brendan Fraser) que engordou enormemente e se afastou da sociedade enquanto afundou na obesidade, rompendo os laços familiares.

“Elvis”, novo longa de
Baz Luhrmann

“LA COLLINE PARFUMEE”, DE ABDERRAHMANE SISSAKO (Mauritânia): O diretor indicado ao Oscar por “Timbuktu” (2014) fala de um amor entre imigrantes chineses e africanos em meio à opressão da xenofobia.
“SHOWING UP”, DE KELLY REICHARDT (EUA): No apogeu de sua trajetória nas telas, em plena maturidade, a atriz Michelle Williams interpreta uma artista que vira sua vida do avesso às vésperas de uma exposição que pode mudar sua carreira.
“MY POLICEMAN”, DE MICHAEL GRANDAGE (Reino Unido): O diretor de teatro inglês responsável pelo cult “O Mestre dos Gênios” (2016) volta às telas adaptando o romance de Bethan Roberts sobre a cena LGBTQ+ inglesa dos anos 1950 a partir do confronto entre um policial (Rupert Everett) e seus desejos.
“SUBTRACTION”, DE MANI HAGHIGHI (Irã): O maior bamba do humor no cinema iraniano aposta em uma narrativa de mistério para falar de conterrâneos que tentam escapar das censuras de seu regime político.
“ASTEROID CITY” (EUA), DE WES ANDERSON: Margot Robbie, Tom Hanks e Matt Dillon se juntam ao elenco de habitués do realizador de “O Grande Hotel Budapeste” (2014) numa história de amor ambientada em Madri, na spanha, na qual o cantor Seu Jorge vive um caubói.
“DECISION TO LEAVE”, DE PARK CHANWOOK (Coreia do Sul): Cerca de 18 anos após o fenômeno “OldBoy”, seu realizador narra a história de uma investigação policial em que um detetive conta com a ajuda de uma misteriosa viúva pra entender o que se passou com o marido dela, assassinato em circunstâncias bizarras.
“MUSIK”, DE ANGELA SCHANELEC (Alemanha): Três anos depois de conquistar o prêmio de melhor direção no Festival de Berlim por “Eu Estava Em Casa, Mas…” (2019), a realizadora alemã pode surpreender Cannes com um drama regado a Complexo de Édipo. Na trama, um rapaz germânico criado por uma família adotiva na Grécia mata um sujeito sem saber que este é seu pai biológico. Na prisão, ele viverá uma história de amor com uma agente penitenciária mais velha, sem saber que esta é sua mãe verdadeira.
“PALOMA”, DE MARCELO GOMES (Brasil): O realizador de “Joaquim” (2017) pode arrebatar a Europa ao narrar a luta de uma mulher trans para se casar na igreja, à moda antiga, em um rincão machista do Nordeste.

“Chocobar” é o novo longa de Lucrecia Martel

“LA CONVERSIONE”, DE MARCO BELLOCCHIO (Itália): O mestre do Cinema Novo Italiano recria o sequestro do menino Edgardo Mortara, filho de judeus da Bolonha, que foi raptado em 1858 e criado como católico
“CHOCOBAR”, DE LUCRECIA MARTEL (Argentina): Cinco anos depois do aclamado “Zama”, a diretora argentina aposta nas narrativas documentais, explorando os bastidores políticos da morte do militante indígena Javier Chocobar por latifundiários.
“THE WAY OF THE WIND”, DE TERENCE MALICK (EUA): Apoiado num elenco monumental (Matthias Schoenaerts, Mathieu Kassovitz, Aidan Turner, Mark Rylance, Ben Kingsley), o realizador de “A Árvore da Vida” (2011) investiga a vida de Cristo por ângulos inusitados.
“HOW DO YOU LIVE”, DE HAYAO MIYAZAKI (Japão): Cannes está sempre atenta às boas novas do Studio Ghibli, cujo patrono parece ter, enfim, finalizado o seu novo desenho animado sobre o processo de amadurecimento de um rapazinho e a sua convivência com um tio e os amigos.

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