‘Elvis & Madona’, uma ‘love story’ que vale sempre ver de novo

‘Elvis & Madona’, uma ‘love story’ que vale sempre ver de novo

Rodrigo Fonseca

24 de julho de 2018 | 18h55

O diretor Marcelo Laffite nos sets de “Elvis & Madona” com Igor Cotrim travestido

Rodrigo Fonseca
 É difícil encontrar, no cinema brasileiro dos últimos 20 anos, mesmo entre doses saborosas de Selton Mello, de Irandhir Santos e de Capitão Nascimento, uma atuação tão arrebatadora quanto a de Igor Cotrim em Elvis & Madona (2010). É a história de amor mais gauche das nossas telas, tendo em Simone Spoladore um combustível aditivado. Sob uma inspirada direção de Marcelo Laffite, norteada pela tradição das chanchadas, Igor e Simone celebrizaram a paixão entre uma travesti e uma fotógrafa lésbica. Nesta quinta, quem passar pela Sala Baden Powell, em Copacabana, às 18h, vai se deliciar com essas duas personagens memoráveis, que põem todo o sentido do “feminino” e de “trans” em uma revisão poética. Na trama, o romance entre as duas protagonistas esbarra com um imbróglio com o crime, na figura de um malandro e ator de filmes pornô, João Tripé (Sérgio Bezerra), que acossa Madona. As cenas de Madona oferecendo um galo preto pra Exu são hilárias. Cotrim conquistou este ano um merecido prêmio de melhor ator por Os Príncipes, no Cine PE. E Simone está preparando um projeto como diretora.

“Eu fiz testes de elenco com alguns atores e atrizes, sempre juntando casais para ensaiar cenas do filme. Experimentamos A com B, A com C, B com C, e por aí foi. Quando Simone e Igor se juntaram, a química foi perfeita e a centelha explodiu”, lembra Laffite, orgulhoso ao dizer que seu filme participou de mais 50 festivais em todos os continentes. “Nossa estreia internacional foi no Tribeca Film Festival, organizado por Robert De Niro e sua equipe. Este é um festival de primeira linha pouco valorizado pela imprensa brasileira, mais acostumada com Cannes e Berlim. Em Tribeca, aconteceram quatro sessões do filme em diferentes cinemas, e todas com lotação esgotada. Não tínhamos dinheiro nem para comer direito, promoção zero, mas ficamos em 5º lugar na votação popular; o 1º lugar ficou com um filme sobre a banda The Who, que tinha uma enorme ação promocional com festas, shows, etc.  A partir de Tribeca, rodamos o mundo. Fui pessoalmente para Varsóvia, Melbourne, Sofia, Paris, Zagreb, Santa Maria da Feira, Miami, Los Angeles e várias outras cidades. Dentre os festivais internacionais e os nacionais, ganhamos quase 60 prêmios”.

Ao fim da sessão desta quinta, a Sala Baden Powell promove um show de Victor Biglione, que compôs a trilha sonora do longa-metragem.

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