‘Ela’ à luz de Phoenix: tem ‘Her’ na TV

‘Ela’ à luz de Phoenix: tem ‘Her’ na TV

Rodrigo Fonseca

07 de fevereiro de 2020 | 13h48

Rodrigo Fonseca
Domingo é dia de Oscar e a expectativa pela vitória de Joaquin Phoenix, por seu desempenho devastador em “Coringa”, é enorme, o que motiva a volta às telas de seus principais sucessos, como “Ela” (“Her”), produção de US$ 23 milhões, dirigida por Spike Jonze, lançada no Festival de Nova York em 2013, e laureada com a estatueta de melhor roteiro original da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. É a atração desta madrugada na Globo, à 1h10, em versão brasileira, com Francisco Brêtas dublando Phoenix com uma competência assombrosa. Em geral, é Hélio Ribeiro quem dubla o astro por aqui, vide “Joker”. Mas Brêtas traduz bem, para o português, a agonia existencial de Theodore (papel de Seu Joaquin), um escritor profissional de cartas e de postais que, após uma separação (de Rooney Mara, mulher do ator na vida real), cai de amores por um sistema operacional com voz de mulher. Essa voz, chamada Samantha, lá fora, é de Scarlett Johansson e, aqui, é de Márcia Regina. Jonze, egresso de videoclipes cultuados (do Weezer e do Sonic Youth) dos anos 1990, consagrou-se como realizador com “Quero ser John Malkovich” (1999) e “Adaptação” (2002), sumindo das telas por um longo e tenebroso inverno até filmar “Onde vivem os monstros” (2009). Sumiu mais um pouco até regressar com a saga de Theodore, alimentando um gênero nada ortodoxo, a sci-fi romântica, idealizando um futuro onde ninguém usa cinto, pois todos estão centrados demais, sem excessos a serem represados. Mas a chegada de Samantha sacode sua paz e tira de Phoenix uma atuação no arame farpado da delicadeza, baseada em situações reais que o cineasta viveu em seu casamento com Sofia Coppola, a diretora do seminal “Encontros e Desencontros” (2003). Indicado à estátua dourada da Academia em 2018, com “Dunkirk”, o suíço Hoyte Van Hoytema assina a fotografia do longa, que contou com o Arcade Fire para compor sua trilha sonora. Nela se destaca a canção “The Moon Song”, cantada por Karen O.

p.s.: Falando de gêneros pouco usuais, uma comédia de costumes musicais estreia hoje na seara das artes cênicas do RJ, levando irreverência (e também doçura) ao Teatro Vannucci, na Gávea, com “Em busca do par perfeito”, escrita e dirigida por Brunno Rodrigues com foco nas liberdades de aceitação em um mundo açoitado pela intolerância. No palco, versões de Glória Gaynor, Madonna, Tina Turner, Bonnie Tyler e Queen prometem arrancar risadas em um espetáculo que fica em cartaz toda sexta-feira, às 19h, até 27 de março.

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