Eduardo Barata, o artesão das lives do teatro

Eduardo Barata, o artesão das lives do teatro

Rodrigo Fonseca

17 de junho de 2020 | 10h54

O produtor Eduardo Barata é o mestre de cerimônia das lives da APTR

Rodrigo Fonseca
Em meio à pandemia, diante do cancelamento/adiamento de peças no planisfério das artes cênicas, a Associação de Produtores de Teatro do Rio de Janeiro (APTR) fez da internet uma ribalta para uma série de lives (de bem-humorada condução) reunindo grandes atrizes, atores de tarimba, encenadoras/es e toda a sorte de bambas dos palcos a fim de levantar recursos para ajudar os trabalhadores dos nobres ofícios de encenar, atuar, iluminar, cenografar, contrarregrar… As lives são promovidas via Instagram e Facebook (@APTROficial). Nesta sexta-feira, às 20h, temos Deputada Federal Benedita da Silva, Deputada Federal Jandira Feghali e Deputado Federal Marcelo Calero. No sábado, também às 19h, teremos Preta Gil, Laila Garin e Gottsha. O que vemos é uma reflexão riquíssima sobre arte dramática, conduzida pelo produtor Eduardo Barata não como entrevista ou como encontro entre amigos, mas sim como uma ágora de múltiplos saberes da cena. Barata se revela um VJ de mão cheia (ou liVJ), com bom humor, conhecimento enciclopédico, generosidade e um sorriso que faz a gente acreditar na máxima de que “a arte existe porque a vida não basta”. É um achado o trabalho dele, numa arqueologia da encenação e na busca por um novo formato de narrar, que passa pela jira e pelo depoimento. Coisa linda de ver e viver.
Na lista de lives de Barata estiveram:
– Amir Haddad e Zé Celso
– Grace Passô, Inez Viana, Teuda Bara e Denise Fraga
– Diogo Vilela, Ney Latorraca, Lucio Mauro Filho e Heloísa Périssé
– Nicette Bruno, Eva Wilma e Léa Garcia
– Ângela Leal, Renato Borghi, Suely Franco e Antônio Pedro
– Tony Ramos, Irene Ravache e Edwin Luisi.
– Marcos Caruso, Louise Cardoso, Tonico Pereira e Cristina Pereira
– Leandro Hassum, Alice Borges, Catarina Abdalla e Grace Gianoukas
– Bia Lessa, Danilo Miranda, Sérgio Mamberti e Antônio Nóbrega
– Ariane Mnouchkine e Juliana Carneiro da Cunha
– Mônica Martelli, Fábio Porchat, Rosi Campos e Maíra Azevedo
– Babu Santana, Simone Mazzer, Bruce Gomlevsky e Débora Duboc
– Lucélia Santos, Antonio Pitanga, Françoise Forton e Stepan Nercessian

No papo a seguir, Barata faz uma reflexão sobre as investigações artísticas que vem conduzindo, consagrando-se como um mestre de cerimônias cheio de carisma e de sabedoria.

Ícone do teatro carioca, como produtor, você se revela um VJ de mão cheia nas lives da APTR. Que debates você acredita estarem nascendo desses encontros? Que linguagem teatral está em pauta nesses papos?
EDUARDO BARATA:
Antes do APTR CONVIDA, eu tinha participado de duas lives, uma com o deputado Marcelo Calero e outra com o ator Marcos Veras. Live é um universo completamente novo e que estou descobrindo a cada novo encontro. Sinto que nosso encontro funciona quase como uma estreia teatral, quando encontramos amigos e parceiros. Colocamos os projetos em dia. Nós nos preparamos pra estreia, fisicamente e emocionalmente. Para mim, o que mais tenho vontade é de humanizar as conversas, humanizar nosso ofício, prestigiar a trajetória dos profissionais das artes. É um lugar de memória, importância e contextualização das carreiras de cada um, com o Brasil e o mundo. Várias linguagens estão em pauta, sempre priorizando a diversidade e pluralidade de estéticas visuais, conceituais e de pensamento.
Que caminhos o teatro pode (e deve) tomar após pandemia?
EDUARDO BARATA:
O teatro aconteceu, acontece e sempre acontecerá. Teatro é vida. Teatro é dinâmico. As expressões teatrais se dão através de ações, gestos e palavras. Estas serão adaptadas para outras ferramentas tecnológicas e de comunicação, sem perder a teatralidade e humanidade.
De que maneira essa linha de peças via lives, via zoom, via web pode modificar a linguagem teatral?
EDUARDO BARATA:
Não modificarão. As lives ampliarão o poder de comunicação e expressão. Temos gestos mais contidos, falas potentes, porém dirigidas para as câmeras da web. Adaptações, opções e não modificações. Não será teledramaturgia e nem cinema; será teatro na internet, no zoom, no insta, no face e no que mais vier. A grande questão é a monetizar estas ações. É muito importante, além da sobrevivência artística, onde alimentamos nossas almas, cidadanias e espíritos, a mercantilização para manutenção da estrutura econômica da cadeia produtiva do teatro.
Logo no início da 40ena, a APTR fez um mutirão de doação para artistas e técnicos das artes cênicas. Esse mutirão segue? Como contribuir?
EDUARDO BARATA:
Contemplamos 925 trabalhadores do setor teatral do Rio e Grande Rio com o cartão VR no valor de 500 reais. Queremos continuar, enquanto houver a pandemia da Covid-19. Para isso precisamos de doações e contribuições. Estamos furando a bolha de arrecadação somente na classe teatral, já conseguimos, somente através de doações, mais de 450 mil reais. Os dados bancários para as doações: CNPJ: 05.850.175/0001-01 – Banco Itaú – Agência: 0272 – Conta: 71215-9. Mande o comprovante para: deposito.campanha.APTR@gmail.com dizendo se a sua doação é anônima ou pública. Pode doar qualquer quantia.

p.s.: Às 22h15 desta quarta-feira, o “Cinema Especial” da TV Globo exibe “Rogue One – Uma História Star Wars”, produção de US$ 200 milhões, que fauturou US$ 1 bilhão, ao narrar os esforços da Aliança Rebelde para destruir a Estrela da Morte de Darth Vader. Gareth Edwards assina a direção do longa-metragem.

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