Editora 85, lar de Diabolik, casa de gibi bom

Editora 85, lar de Diabolik, casa de gibi bom

Rodrigo Fonseca

05 de maio de 2021 | 13h25

RODRIGO FONSECA
Imersão sobrenatural dos fumetti (nome dado às HQs italianas) no filão do thrillers de detetive, “Hellnoir”, escrita por Pasquale Ruju e desenhada por Giovanni Freghieri, centrada nas investigações de Melvin Soul entre o reino dos mortos e o reino dos vivos, vai, enfim, sair no Brasil, em publicação da Editora 85. Inaugurada em São José dos Campos (SP), em setembro de 2017, a casa editorial, que tem Leonardo Campos em sua linha de frente, tem feito um trabalho impecável ao trazer para os leitores brasileiros – com vendas pelo site www.editora85.com.br – heróis nas franjas do realismo, como os aventureiros dos gibis “Dampyr”, “Morgan Lost” e “Mister No”. O maior achado de Campos, contudo, está na aposta no charmoso e assassino ladrão Diabolik, criado pelas irmãs milanesas Angela e Luciana Giussani, em 1962. Já foram três coletâneas de 500 páginas cada do ladino, que será visto nas telonas, no fim ano, na pele de Luca Marinelli, em produção dirigida pelos irmãos Marco e Antonio Manetti. Na entrevista a seguir, ao P de Pop, Campos fala da boa fase da nona arte da Itália em território nacional, graças ao desempenho feito por ele, pela Mythos, pela Graphite e até pela Panini, que é especializada em Marvel e DC.

Qual é o maior desafio de manter uma editora de quadrinhos baseada em títulos da Itália na ativa? Como é sobreviver usando a web como ponto de venda? Qual é o papel da banca. A cadeia de vocês?
Leonardo Campos:
Acredito que o maior desafio de uma editora brasileira especializada em fumetti seja estourar a bolha. Há, sim, um pessoal muito interessado em conhecer outros quadrinhos italianos que não sejam Tex, mas ainda é um público pequeno. Com muito trabalho e dedicação, esse público tem aumentado a cada dia. Desde 2018, quando começamos, optamos pela distribuição direta a nossos leitores. Desta forma, o Youtube, as redes sociais e os grupos de whatsapp foram fundamentais para disseminar o nosso trabalho. A banca hoje é um modelo de distribuição que não funciona para pequenas tiragens de nicho. Com a saída da Dinap do mercado, a migração para o e-commerce tem aumentado muito.

Qual é a diferença entre a comercialização de uma HQ baseada em heróis e uma HQ calçada na vilania, como é o caso de Diabolik? Há uma distinção na forma de promover os personagens?
Leonardo Campos:
São gêneros bem diferentes. Mas a vilania não é o maior foco das histórias. A beleza das tramas está muito mais na astúcia do personagem, nos roteiros inteligentes e nos embates com seu algoz, Ginko, o inspetor de polícia. O anti-herói está lá, mas também enfatizamos a qualidade das histórias. Diabolik já foi muito mais cruel do que é hoje em dia e há histórias atuais que mostram um senso de justiça tão inabalável quanto vemos em Tex, por exemplo.

Quantos quadrinhos a 85 já editou? Quem traduz pra você? Quantas pessoas integram seu staff?
Leonardo Campos:
A Editora 85 iniciou suas atividades em setembro de 2017, lançando seu primeiro título em janeiro de 2018. Nasceu da paixão de um leitor pelos quadrinhos italianos e, principalmente, pelos títulos que, há muito tempo, não apareciam nas bancas do Brasil. Já editamos 18 obras desde 2018. As traduções, no início, ficavam sob minha responsabilidade, mas com o aumento dos contratos, e a redução de tempo entre uma publicação e outra, fui obrigado a buscar auxílio. Hoje, toda a tradução é feita por um dos grandes tradutores de italiano do Brasil, nosso grande parceiro Júlio Schneider, já muito conhecido dos leitores de Tex, Zagor e Júlia. O terceiro da equipe é Luiz Sansone, artista paulistano, o nosso editor de arte.

Quais são os próximos títulos a caminho?
Leonardo Campos:
Teremos mais quatro lançamentos em nossa próxima pré-venda: a graphic novel “Hellnoir” e novos volumes de “Dampyr”, “Morgan Lost” e “Mister No”. Diabolik retorna no segundo semestre, com mais uma edição especial de 500 páginas.

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