E o Oscar de melhor filme de ir para… heroínas da Nasa

E o Oscar de melhor filme de ir para… heroínas da Nasa

Rodrigo Fonseca

26 de fevereiro de 2017 | 12h21

“Estrelas Além do Tempo”: Oscar à vista

RODRIGO FONSECA
Embora La La Land seja o meu xodó entre os candidatos ao Oscar de melhor filme de 2017, o movimento hollywoodiano de triagem por heróis – sobretudo heroínas – de carne, osso e tutano ético, em detrimento da subserviência atual ao filão dos supers da Marvel e da DC, pode levar Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) a ganhar a estatueta de melhor filme esta noite. A vitória do longa-metragem na festa de entrega do SAG, o Screen Actors Guild, já foi um indicativo. E seria justo, dado ao vigor narrativo desta produção de US$ 25 milhões cujo faturamento arranha a casa dos US$ 171 milhões.

Numa reação política aos protestos celebrizados como #Oscarsowhite, em referência crítica à ausência de atores negros em competição na cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood em 2016, filmes protagonizados por afro-americanos ou centrados em questões raciais se tornaram o principal alvo de investimento da indústria audiovisual dos EUA, na seara adulta. Basta uma olhada na lista de concorrentes a prêmios para perceber o peso (mais dos que necessário) dado ao debate sobre exclusão/inclusão pelas vias da cor. A bola da vez é Estrelas Além do Tempo, no qual Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe interpretam um trio de operativas da Nasa responsáveis pelo levantamento e pela filtragem de dados que garantiram a corrida espacial para os Estados Unidos. O longa-metragem é dirigido por Theodore Melfi, de O Santo Vizinho (2014), com Bill Murray.

Com um roteiro comovente e empolgante, Estrelas Além do Tempo resgata a colaboração de três matemáticas – Dorothy Vaughn (Octavia), Mary Jackson (Janelle) e Katherine Johnson (Taraji) – para a missão que garantiu o primeiro voo tripulado dos americanos ao espaço, envolvendo o astronauta John Glenn (vivido por Glen Powell). O filme é delas, das mulheres, mas há um grande papel masculino: o do cientista Al Harrison, um dos cabeças da Nasa, que foi confiado a Kevin Costner, que merecia ter sido indicado.