E o baixinho pareceu gigante em ‘Quase memória’

E o baixinho pareceu gigante em ‘Quase memória’

Rodrigo Fonseca

11 Outubro 2015 | 12h14

Antonio Pedro ao lado de Mariana Ximenes em

Antonio Pedro ao lado de Mariana Ximenes em “Quase Memória”, esperado filme de Ruy Guerra

Tampinha na estatura, gigante na experiência, com parcerias com mestres do Cinema Novo e exercícios de direção nos palcos, Antonio Pedro reinou soberano na noite de sábado na Première Brasil do Festival do Rio como coadjuvante em Quase Memória, de Ruy Guerra. Numa condição de Mestres dos Magos em num Dungeons & Dragons da recordação e da fabulação, ele vive um senhor de farda que ajuda o jornalista Ernesto (João Miguel) a seguir sem culpa em suas peripécias. É um filme farsesco, com estética de cartum, que desafia seu realizador a desbravar os oceanos da gargalhada. E poucos atores foram capazes de nos fazer rir tanto nesta competição de longas-metragens nacionais de 2015 como Antonio Pedro conseguiu.

Mas, até agora, Boi Neon segue imbatível… E do seu ladinho vem Campo Grande, de Sandra Kogut.

Num senso rápido: este foi um ano em que, majoritariamente, os longas nacionais flertam com a esperança, com soluções amorosas para conflitos sociais ou familiares, investindo numa cartografia dos afetos. Neste ano de crises e tensões políticos, com pleitos insanos de conservadorismo e regressos da opressão, o cinema oferece um “cala boca” a manifestações de botequim substituindo o mimimi partidário por  uma crença na perseverança. Há salvação!

p.s.: Que filme desestabilizador é Eu Sou Michael, de Justin Kelly, sobre um militante gay que abriu mão de sua homossexualidade ao se converter a Deus. É um trabalho magistral de James Franco.

p.s.2: Nesta segunda-feira, No Estação NET Ipanema, tem o obrigatório Stop, novo trabalho do coreano Kim Ki-Duk sobre um casal assombrado pela histeria atômica. É a reinvenção de uma fobia alimentada pela Guerra Fria e revivida aqui com ecos de horror existencial.