É dia de animar o Brasil com Mariana Caltabiano

É dia de animar o Brasil com Mariana Caltabiano

Rodrigo Fonseca

05 de abril de 2020 | 10h13

Relax e Stress encontram Fernando Meirelles em “Brasil Animado”, que Mariana lançou em 2010. A exibição será às 16h na TV Brasil.

Rodrigo Fonseca
Tem animação nacional das boas hoje na televisão, às 16h, na TV Brasil, na resistência da 40ena. “Brasil Animado”, de Mariana Caltabiano (da série “Zuzubalândia”) vai ser exibido na telinha, levando a uma nova linhagem de espectadores situações hilárias como um encontro do cineasta e produtor Fernando Meirelles (de “Dois Papas”) com os personagens Relax e Stress. Na trama, o cineasta Relax sempre tenta convencer o ganancioso empresário Stress a investir em seus projetos. A fim de fazer um painel dos encantos de nossa pátria, o ufanista Relax propõe uma busca à árvore mais antiga do Brasil: o grande jequitibá rosa. Stress logo vê potencial na ideia, pois pode vender ingressos para a visitação à arvore quando esta for encontrada. Com isso, a dupla sai em jornada nação adentro, dispostos a encontrar a espécie rara. Concebido para ser sex exibido em 3D, em 2011, abrindo um novo paradigma pro cinema brasileiro, a animação mescla computação gráfica com cenas gravadas em cenários reais. O filme marca a estreia de Mariana como realizadora de longas e traz cenas no Rio de Janeiro, Salvador, Porto Seguro, Foz do Iguaçu, Porto de Galinhas, Olinda, Ouro Preto, Tiradentes, Diamantina, Fortaleza, Canoa Quebrada, Jericoacoara, Gramado, Caxias do Sul, São Paulo, Brasília, Florianópolis e Amazônia. É uma narrativa pautada pela doçura, que pode servir como um excelente exercício de formação para novos cinéfilos.

Qual era a busca estética que te guiava ao mergulhar no país em Brasil Animado e que descobertas você fez a partir dele?
Mariana:
O meu objetivo era mostrar ao público a riqueza natural e cultural do país, que, muitas vezes, o próprio brasileiro desconhece. Eu mesma, quando fizemos o “Brasil Animado”, já tinha ido para os Estados Unidos e Europa, mas não conhecia lugares como a Amazônia e Foz do Iguaçu. A beleza e a diversidade que temos aqui são impressionantes. Em termos de estética, escolhi mostrar nosso patrimônio natural e cultural através de imagens reais (live action). Misturamos os personagens animados com essas sequências. Por exemplo, seria complicado reproduzir a grandiosidade e força das cataratas de Foz do Iguaçu em animação. Além disso, foi uma oportunidade para fazermos o primeiro filme brasileiro com captação em 3-D estereoscópico.
Que rumos você vê a animação nacional tomar hoje?
Mariana:
Estou feliz com a quantidade e qualidade das séries de animação produzidas hoje no Brasil. O setor cresceu muito rápido e mostrou que atualmente é possível competir de igual para igual com séries estrangeiras. “Zuzubalândia” é exibida em toda a América Latina e, em breve, vai para os Estados Unidos. “Gui & Estopa” está em toda a América Latina e também na China. Não existem mais barreiras para a animação brasileira. A captação de recursos ainda é um desafio. Mas acredito que possa ser vencido quando investidores perceberem que é um negócio rentável. Sem falar que investir em animação gera muitos empregos e é muito mais gratificante do que investir na bolsa, por exemplo. Em momentos como o que estamos passando agora, fica ainda mais evidente a importância de termos bons conteúdos.

A cineasta com os personagens de “Zuzubalândia”

Quais são seus projetos neste momento?
Mariana:
Terminamos a 5ª temporada de “Gui & Estopa”, que será lançada este ano no Cartoon Network, e a 2ª temporada de “Zuzubalândia”, que será lançada no Boomerang, Cartoon Network, Tooncast e SBT. Estamos trabalhando na pré produção do longa de Zuzubalândia.

p.s.: Às 15h20, na Globo, tem o Superman ET de Zack Snyder: “Homem de Aço”, uma autoral releitura dos feitos do herói, lançada em 2013.
p.s.2: À 0h, o Telecine Cult exibe “Brazil, o Filme” (1985), que valeu uma indicação ao Oscar de melhor roteiro para Terry Gilliam.
p.s.3: Nesta sexta, “Tempo de Caça” (“Time to Hunt”), “o” filme da Berlinale 2020, estreia na Netflix. A Coreia do Sul de “Parasita” brilhou na capital alemã com esta joia do diretor Yoon Sung-hyun (nos EUA, Sung-hyun Yoon). É difícil encontrar um filme com voltagem mais alta do que “Sanyangeui sigan”, cuja projeção abarrotou salas no 70. Festival de Berlim, na seara fora de concurso. É uma narrativa que desafia os padrões da adrenalina elevados por Hollywood dos anos 1980 pra cá. A trama acompanha um ex-presidiário que, ao sair da prisão, é convencido por seus amigos a voltar ao mundo do crime e assaltar um cassino. Nele temos o melhor personagem da seleção berlinense deste ano: o assassino de aluguel Han, tira caído na desgraça da cobiça que o ator Park Hae-soo encara de uma forma magistral, com ecos de Javier Bardem em “Onde os Fracos Não Têm Vez”. Yoon filma violência com um requinte plástico singular.

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