‘Dunkirk’ está chegando: Christopher Nolan vem para abalar

‘Dunkirk’ está chegando: Christopher Nolan vem para abalar

Rodrigo Fonseca

19 Julho 2017 | 14h50

Rodrigo Fonseca

Entre todos os blockbusters assados nas fornalhas de Hollywood para chegar às telas nesta temporada de férias de julho, nenhum chega ao circuito com mais cacife estético e curiosidade da crítica do que Dunkirk, que pousa nas telas americanas e europeias nesta sexta, propondo a recriação de uma das mais sangrentas batalhas da Segunda Guerra Mundial. Em seu timão está o inglês Christopher Nolan, sinônimo de ousadia e de sucesso de bilheteria, que fez da franquia Batman (2005-2012) um bunker de resistência autoral. Interestelar (2014) foi seu último trabalho. Sua cria mais atual, de tom bélico, estreia aqui dia 27. Embora tenha em seu elenco medalhões como Kenneth Branagh e Mark Rylance, coadjuvando os feitos heróicos de Tom Hardy (o novo Mad Max), seu longa-metragem mais recente – uma superprodução centrada no combate das tropas aliadas com uma ofensiva alemã no nordeste francês, que resultou em 100 mortes – tem como real chamariz a mítica em torno de seu diretor.

 

Responsável por cults como Insônia (2012), Nolan mudou os rumos do cinema de super-heróis ainda arriscou-se a fazer filosofia com o ontológico sci-fi A Origem (2010). Há quem confunda seu arrojo com pretensão e prepotência, o que lhe valeu antipatizantes ferozes. Ao longo dos últimos cinco anos, o P de Pop cruzou com ele algumas vezes pelo Velho Mundo, garimpando estas palavras dele:

“Cresci cercado pela escola inglesa, de ficção e de documentário, com David Lean e Carol Reed, mas tive a literatura sempre a meu lado. Há períodos em que vou ao cinema e sinto como se não experimentasse nada novo, cansado da repetição de chavões narrativos e da ausência de discussão simbólica. Mas, às vezes, quando estou enfurnado em uma produção, no intervalo de uma semana sem poder ir a circuito, aparece diante de mim algo que me arrebata pela potência visual e eu passo a acreditar de novo na força dos filmes. Talvez por isso, ao filmar com dinheiro alheio, eu tenha tanta preocupação em dar ao espectador algo que possa entreter, mas também desconcertar, cuidando de extrair da imagem o que de mais potente ela possa oferecer”, disse Nolan, entre palestras e coletivas. “Eu quero é fazer o espectador ver os patrimônios universais da condição humana, como o sonho, como a ideologia”.

Chistopher Nolan no set de “Dunkirk”

Poucos diretores atualmente na ativa conseguem despertar tanta paixão quanto Nolan, revelado em 2000 com Amnésia e alçado ao estrelato popular com a franquia do Homem-Morcego. Há um paredão de ranço contra ele por parte de uma ala da crítica que esnoba seu virtuosismo e seu humanismo. É a mesma ala que torceu o nariz para o seminal La La Land. A mesma que faz ferina campanha contra Birdman (2014) e tentam de tudo para desqualificar a potência mastodôntica do cinema de Alejandro González Iñárritu e Darren Aronofsky. São os mesmos que cospem em Wong Kar-wai e Kim Ki-Duk. Os mesmos que tratam Dheepan como um filme-ONG, que ridicularizam Denis Villeneuve e seu soberbo A Chegada, procuram defeitos inexistentes em Relatos Selvagens e reduzem Asghar Farhadi (realizador de O Apartamento) ao rótulo de manipulador. Mas tem filmes que ultrapassam qualquer mimimi. Elogiado com quilos de adjetivos entusiasmados na Europa e nos EUA, Dunkirk promete ser um deles.