‘Dreadstar’, um marco das HQs, volta às bancas brasileiras, que também acolhem Hagar e Flash Gordon

‘Dreadstar’, um marco das HQs, volta às bancas brasileiras, que também acolhem Hagar e Flash Gordon

Rodrigo Fonseca

05 de maio de 2016 | 17h48

Mistura de 'Star Wars' com 'Duna', 'Dreadstar' é um épico espacial contra a intolerância religiosa: a série volta ao Brasil num precioso encadernado

Mistura de ‘Star Wars’ com ‘Duna’, ‘Dreadstar’ é um épico espacial contra a intolerância religiosa: a série volta ao Brasil num precioso encadernado da Mythos

Cotada para virar série e filme nos EUA, a HQ Dreadstar, de Jim Starlin, teve várias encarnações no mercado brasileiro de gibis, sendo a mais famosa uma publicação em formatinho pela Editora Globo, em 1990, que teve direito até a reclames publicitários na TV. Agora, está space opera iniciada em 1982 pela Epic Comics, volta ao Brasil em um encadernado precioso (embora caro pra burro) da Mythos, reunindo as 12 primeiras aventuras do espadachim intergaláctico Vanth Dreadstar, remanescente da Via Láctea que, num futuro über tecnológico, é obrigado a se engajar numa insurreição contra a Igreja da Instrumentalidade. A organização, liderada por Lorde Papel, é uma metáfora para a intolerância religiosa neste quadrinho que consegue combinar o escapismo de Star Wars com o transcendentalismo de Duna. Ok… pagar R$ 99,90 por um gibi é um soco no estômago. Mas no caso deste TP feito pela Mythos o soco é bem dado e não deixa marcas: o trabalho de editoração é primoroso. É uma das melhores edições do ano, à altura do que a mesma empresa fez em 2015 com American Flagg!, de Howard Chaykin.

Hagar volta num álbum da Pixel/ Ediouro

Hagar volta num álbum da Pixel/ Ediouro

Igualmente louvável é o trabalho que a Pixel/ Ediouro tem feito, sob a coordenação de Daniel Stycer e supervisão artística do cartunista Ota, de publicar os clássicos da King Features, vide o indispensável Livro de Ouro do Hagar o Horrível. Stycer e Ota enfim deram ao viking um tratamento de cor à altura do universo lúdico de Dik Browne. O mesmo cuidado foi feito com o álbum de luxo Flash Gordon, resgatando o mítico avô de Han Solo criado por Alex Raymond. A editora de Bonsucesso, famosa pela cruzadas Coquetel, lança agora em maio o primoroso Mirror’s Edge Exordium, de carona no game.

Agora, vem cá: quem aí no mercado, seja Mythos ou Ediouro, poderia se habilitar a editar Modesty Blaise e Dick Tracy no Brasil? Já passou da hora de reavermos estas joias da Nona Arte.

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