Domingo de ‘Tubarão’ na Band

Domingo de ‘Tubarão’ na Band

Rodrigo Fonseca

12 de abril de 2020 | 14h29

Rodrigo Fonseca
Além de estar transformando as manhãs de domingo em um nostálgico parque de diversões à força do resgate de “Jaspion”, “Jiraya” e “Changeman”, a Band ainda vem emplacando uma impecável seleção de filmes, com direito a “Tubarão” (“Jaws”, 1975) dublado, nesta noite de Páscoa, para achocolatar a 40ena. A transmissão começa às 19h30. Na sequência tem “E.T., o Extraterrestre” (1982). Estima-se que seja a redublagem dos anos 2000, com Élcio Romar dublando Roy Scheider; Felipe Grinnan dando a voz a Richard Dreyfuss; e Márcio Simões cedendo o gogó a Robert Shaw. Quem dera seja a versão da BKS: nela, Scheider foi dublado por Carlos Campanile; Shaw, por Antônio Moreno; e Dreyfuss, por Ézio Ramos. Tanto faz. As dois são boas e o filme é um monumento, responsável pela inauguração do conceito de blockbuster nas telas. Não por acaso, Godard o associa a imagens de guerra em seu “Imagem e Palavra” (Palma de Ouro Especial de 2018). Não por acaso Peter Bogdanovich, diretor de “A Última Sessão de Cinema” (1971), disse ao P de Pop: quando o peixe assassino de Spielberg abriu sua bocarra, em meados da década de 1970, a aposta da nossa arte no risco e na combatividade deu lugar ao entretenimento. Curiosamente, antes de ganhar a grife spielberguiana, o projeto deste lendário longa-metragem chegou a ser oferecido ao diretor Dick Richards (de “Assim Nasce um Homem”), que foi afastado depois de confundir o animal do título com uma baleia.

Com base em romance de Peter Bencheley, roteirizado pelo próprio escritor, em parceria com Carl Gottlieb, “Jaws” foi um projeto de US$ 7 milhões – o que, na década de 1970, era um valor altíssimo a ser confiado nas mãos de um jovem diretor – lançado em 20 de junho de 1975 nos EUA e no Natal daquele ano aqui. Contabilizou US$ 470 milhões nas bilheterias, conquistou três Oscars – de Melhor Som, Montagem e Trilha Sonora, dada ao genial John Williams – e consagrou o conceito de blockbuster (arrasa quarteirão) ao transformar as férias escolares do verão americano (maio, junho e julho) no período ideal para superproduções de ação e aventura. Na trama, rodada em Massachusetts, com cenas de praia na Califórnia, Roy Scheider vive o policial Martin Brody, um xerife que não gosta de mar, mas aceita se mudar para o litoral a fim de dar a seus filhos uma vida mais pacata. Mas o ataque de um tubarão branco vai ameaçar a paz do local. Um biólogo marinho (Richard Dreyfuss) tentará auxiliar o policial. Mas é um veterano lobo do mar, o pescador Quint (Robert Shaw), quem vai se oferecer para fisgar a criatura – batizada de Bruce nos bastidores, em referência maldosa ao advogado de Spielberg – numa narrativa regada a litros de adrenalina e aos acordes do compositor John Williams. A maioria dos takes foram feitos com a câmera na mão da equipe de fotografia.

Curiosos podem encontrar na web a deliciosa reportagem de 1975 em que a revista “Time” pesca o fenômeno Steven Spielberg, que frustrou-se por não ter levado o Oscar pelo longa. Este ano, contudo, o realizador, duas vezes laureado com a estatueta de melhor direção (por “A Lista de Schindler” e por “O Resgate do Soldado Ryan”), deve fazer a festa, com o musical “West Side Story”, revivendo os hits de Robert Wise e Jerome Robbins.

p.s.: O Globoplay incluiu em seu cardápio “Hamlet” (1996), de Kenneth Branagh, que merece uma revisão.

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