‘Dois Irmãos’ no D&D do Globo de Ouro

‘Dois Irmãos’ no D&D do Globo de Ouro

Rodrigo Fonseca

27 de fevereiro de 2021 | 13h00

RODRIGO FONSECA
Domingo tem Globo de Ouro e embora “Soul” seja o favorito absoluto ao prêmio de melhor longa-metragem de animação, vale à pena dar uma atenção ao memorável “Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica” (“Onward”, 2020), um dos concorrentes de maior potência plástica, hoje “em cartaz” na grade do Disney Plus. Há um ano, o filme fez sua estreia mundial na Berlinale fora de competição. A capital alemã curtiu o filme em projeção hors-concours, flanando nos céus da fantasia, de carona em Guinevere, a caminhonete usada pelos elfos Ian e Barley. Corações errepegistas vão às lágrimas diante de toda a precisão do cineasta Dan Scanlon em evocar campanhas de “Dungeons & Dragons”. Se este nome não te diz nada, isso significa que você não prestou muita atenção ao que se passou nas veredas do pop na década de 1990, pelo menos aqui no Brasil quando esse role-playing game (RPG) foi uma febre nacional. Havia ainda uma versão para a TV do universo dos jogos criados nos EUA em 1974, por Gary Gygax e Dave Arneson: a sagrada série “Caverna do Dragão”, o Mestre dos Magos (dublado por Ionei Silva) e o Vingador (na voz do nonagenário Orlando Drummond). Scanlon pode (sim) receber o Globo dourado.
“Como eu trabalho na Pixar, tive a sorte de contar com o apoio de muita gente que conhece esse universo e me deu ideia das situações a serem criadas, nesta história sobre uma busca, que defende a ideia do balanço, do equilíbrio”, disse Scanlon ao P de Pop. “Como eu nasci em um subúrbio em Michigan, tentei reproduzir o ambiente onde cresci para ambientar o lugar onde os personagens vivem”.

Scanlon contou com dois astros associados aos dois últimos tomos da franquia “Vingadores” em seu elenco de vozes: Tom Holland (o atual Peter Parker, aka Homem-Aranha) e Chris Pratt (o Senhor das Estrelas, ou Starlord, dos Guardiões da Gláxia). Holland dá a voz ao franzino Ian, que cresceu sem conhecer o pai, morto quando ele ainda era um bebê. Barleu (Pratt) é um grunge deslocado no tempo que conviveu com seu papai pouquinho. Os dois sentem falta dele, mas vivem cercado de acomodação em uma dimensão mágica na qual criaturas como fadas, trolls e o povo élfico prefere lâmpadas elétricas e ônibus lotado a apelar para feitiços de voo ou de evocação de bolas de fogo. Mas o surgimento de um cajado capaz de devolver os mortos a vida vai mobilizar esses manos radicalmente diferentes, que roncam os motores da Guinevere para singrar as estradas. A mãe deles (na voz de Julia Louis-Dreyfus) fará de tudo pra encontrar seus rebentos antes que eles se metam em uma maldição ligada ao poder do cetro enfeitiçado. E ela vai arrastar uma dona de bar, Manticore (numa hilária atuação de Octavia Spencer), pelo caminho consigo.
“Não é um filme contra a tecnologia, afinal de contas a gente trabalha na Pixar, que usa máquinas para criar arte. A questão é mostrar o quanto a gente deixou de balancear as prioridades”, disse Scanlon, antes conhecido pela direção de “Universidade Monstros” (2013). “Chegamos a pensar em ter figuras humanas, mas era mais romântico ter personagens com feições de criaturas fantásticas”.
No Brasil, Ian e Barley são dublados por Wirley Contaifer e Raphael Rossatto.

Coadjuvantes de luxo na saga dos elfos Ian e Barley

p.s.: Finalmente a versão encadernada de “A Espada Selvagem de Conan”, lançada pela Panini, está nas bancas de jornal do Rio de Janeiro, começando pela publicação de “A Cidadela dos Condenados”. O primeiro exemplar custa R$ 9,90.
p.s.2: Nesta segunda-feira, o Cineclube Casas Casadas promove uma exibição de “Vida de Menina” (melhor filme no Festival de Gramado de 2004), de Helena Solberg, seguida de debate pilotado pela Associação Brasileira de Cinematografia, via Affonso Beato e Ricardo Cota. O bate-papo começa às 20h.
p.s.3: Nesta terça-feira, o brilhante “Sertânia”, de Geraldo Sarno, vai ser debatido às 19h40, no Cineclube Macunaíma, da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), com um time de craques das telas, também mediados pelo onipresente Ricardo Cota. Ele media o ator Julio Adrião, Sarno, o fotógrafo Miguel Vassy e os diretores Eryk Rocha e Silvio Tendler.
p.s.4: Lá pelas 2h40 deste domingo, a Globo exibe um dos filmes mais subestimados de Arnold Schwarzenegger: “O Sexto Dia” (“The 6th Day”, 2000), do canadense Roger Spottiswoode. Em um futuro próximo, a clonagem de gado, peixes e, até mesmo, animais de estimação já é fato corriqueiro. Mas clonar seres humanos é um ato ilegal em todo o planeta. Pelo menos até Adam Gibson (Schwarzenegger, dublado por Luiz Feier), um dia, chegar em casa e encontrar um clone em seu lugar. Agora, separado de sua família e jogado em um mundo que ele não compreende, Gibson precisa salvar a si mesmo.
p.s.5: Às 19h deste sábado, Luciana Costa, Célio Silva e Mario Abbade debatem o legado do ator Steve McQueen (1930-1980) online, no Instagram do CCBBSP.

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