Doce Vida do Estação Net em Sonhos de Fellini

Doce Vida do Estação Net em Sonhos de Fellini

Rodrigo Fonseca

02 de abril de 2022 | 12h10

Cavi Borges caracterizado com o chapéu e o cachecol de Federico Fellini no Estação – Foto de @Rodrigo Fonseca

Rodrigo Fonseca
Enquanto preparava filmes seminais como “Noites de Cabíria” (1957), “Julieta dos Espíritos” (1965) e “Satyricon” (1969), Federico Fellini (1920–1993) cunhava frases seminais como: “Assim como toda pérola é a autobiografia de uma ostra, todo filme é a autobiografia de seu realizador”. Palavras como essas salpicam a exposição que dá um colorico onírico à la “Amarcord” (1973) à livraria do cine Estação Net Rio, em Botafogo, em mais uma diabrura do cineasta e produtor Cavi Borges. Ele decidiu aproveitar a experiência de estar dirigindo a atriz Marcia do Valle no espetáculo “Uma Peça Para Fellini”, ali, no saguão do tradicional complexo de cinemas, pra fazer uma experiência multimídia. Catou cartazes, fotos, desenhos. Mas o fez a quatro mãos, numa drobradinha com o crítico (e brilhante videomaker) Fabrício Duque, do site “Vertentes do Cinema”. A dupla reuniu quinquilharias das mais lúdicas para erguer “Sonhos de Fellini”, onde o público que vai conferir filmes como “Batman”, de Matt Reeves, ou “Alemão 2”, de José Eduardo Belmonte, pode conferir pôsteres; exemplares raros da revista francesa “Cahiers du Cinéma”; HQs; e funkos, uma marca de bonecos estilizados. Duque e Cavi contaram com o apoio da escritora Mariza Gualano, que cedeu materiais de seu acervo pessoal e levou exemplares do livro “Para Fellini, Com Amor”, ilustrado por Roberta Maya com um belíssimo traço que revisita clássicos do diretor de “A Doce Vida” (Palma de Ouro de 1960).
Tem “Uma Peça Para Fellini” sempre às sextas e sábados, às 21h30, no Estação Net Rio.

Desenho de Fellini

p.s.: O .doc “Sinfonia de um Homem Comum”, que o É Tudo Verdade exibe neste sábado, em sua competição oficial de longas-metragens, é o melhor filme do paraibano radicado em terras cariocas José Joffily desde “2 Perdidos Numa Noite Suja” (2002), sua obra-prima. Seu novo filme é uma aula de montagem, pautada pela dialética. Sua narrativa acompanha a história do diplomata brasileiro José Maurício Bustani, que foi diretor da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), e tentou impedir a invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

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