.Doc sobre Belchior é um convite ao aplauso

.Doc sobre Belchior é um convite ao aplauso

Rodrigo Fonseca

07 de abril de 2022 | 11h17

“Belchior – Apenas um Coração Selvagem” tem um desenho de som arrebatador

Rodrigo Fonseca
Apoiado num desenho de som avassalador de Waldir Xavier, “Belchior – Apenas um Coração Selvagem” é um convite ao pranto (mas aquele que leva à transcendência) e ao aplauso na seleção competitiva do É Tudo Verdade 2022, com sessão nesta quinta-feira. É um sofistacado documentário sobre, com e através do artista, poeta, compositor e cantor Belchior (1946-2017), com direção de Camilo Cavalcanti e Natália Dias. O duo assina o roteiro com Paulo Henrique Fontenelle, que montou o longa com sofisticação exemplar. Trata-se de um filme na primeira pessoa do singular no qual o próprio Belchior nos conduz por sua carreira e obra contundentes. Os casos e conversas nos revelam diversas facetas do rapaz latino-americano: o peregrino, o crítico, o atemporal, o cidadão comum, o irônico, o sensual, o filosófico, o ácido, o retirante, um homem do seu tempo (e para além dele). Sem a pretensão de explicar cada uma dessas personas e sem abrir mão das contradições desse instigante personagem da Música Popular Brasileira, o filme viaja pela importância e contemporaneidade de letras e mensagens que compõem uma obra pulsante, viva e cortante.
Tem sessão presencial nesta quinta, às 20h, no Espaço Itaú de Cinema Augusta (SP) e no Espaço Itaú de Cinema Botafogo (RJ). E dá pra ver online no É Tudo Verdade Play, às 21h. Natália e Camilo responderam em conjunto ao Estadão o seguinte: “É complexo falar de simbologia em relação a um artista que fez questão de fugir delas. Não há metáfora que represente Belchior. Sua representatividade é objetiva e está presente em sua obra, na rebeldia de suas letras, no movimento constante de suas palavras. A revolução, o espírito de mutante dos jovens, a liberdade e a possibilidade de delinquir são ingredientes insubstituíveis em suas canções. Além disso, Belchior são muitos. Isso ficou claro pra gente durante todo processo de mergulho no personagem. São muitos e ainda pode não ser nenhum desses. Trata-se de um artista complexo, profundo, cheio de idiossincrasias e contradições. Ele é o grito corajoso e certeiro ‘ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro’, mas ele também é o que quer ‘andar caminho errado pela simples alegria de ser’. É o erudito, o Belchior amante e estudioso da poesia e da filosofia, mas também é o que está pronto pra cantar o que o nosso coração pede na mesa de um bar”.
O .doc “Sinfonia de um Homem Comum”, que o É Tudo Verdade exibiu sábado passado, também em concurso, é o melhor filme do paraibano radicado em terras cariocas José Joffily desde “2 Perdidos Numa Noite Suja” (2002), sua obra-prima. Seu novo filme é uma aula de montagem, pautada pela dialética. Sua narrativa acompanha a história do diplomata brasileiro José Maurício Bustani, que foi diretor da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), e tentou impedir a invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.