.Doc de Matt Dillon segue inédito no Brasil

.Doc de Matt Dillon segue inédito no Brasil

Rodrigo Fonseca

16 de setembro de 2021 | 17h58

Matt Dillon na direção do documentário sobre uma lenda da canção cubana

RODRIGO FONSECA
Zhang Yimou vai abrir San Sebastián nesta sexta com um filme que deveria ter sido exibido na Berlinale de 2019, mas acabou limado (estima-se que à força de decisões trôpegas do governo chinês), seguindo, um par de anos depois, para a cidade do norte espanhol. Cidade que é uma mina de achados, como se viu ano passado, quando trouxe um .doc pilotado por Matt Dillon para sua seleção oficial. Celebrizado na década de 1980 por sua rebeldia como o Rusty James de “Rumble Fish – O Selvagem da Motocicleta”, Dillon é sempre citado por esbanjar uma sensualidade que arrancou elogios até de Caetano Veloso. Mas o ator americano, hoje com 57 anos, foi além dos rôtulos. Ele saiu da Espanha, em 2020, consagrado num papel inusitado: o de documentarista. Fora de competição no evento, realizado no norte da Espanha, “El Gran Fellove” é o primeiro trabalho dele como diretor de narrativas documentais, tendo a música cubana como foco. A narrativa de Dillon se debruça sobre a história do cantor Francisco Fellove (1923-2013), que deixou Havana e partiu para o México nos anos 1950, retornando para seu país em 1979, sem rever o mesmo sucesso.
“Fellove foi um herói à sua época, ao desafiar a pobreza e os interditos à realidade onde nasceu, firmando-se pela beleza de sua música”, disse Dillon ao Estadão em San Sebastián, quando revelou-se um expert em ritmos latinos. “Compro discos desde os 12 anos, mas não como colecionador, para aumentar minha discoteca. Compro tudo o que posso por ser um curioso dos diferentes ritmos musicais. Cheguei a Fellove numa dessas buscas por música boa e me encantei com seu ritmo”
Dillon conheceu Fellove em Nova York, em 1999, e filmou-o enquanto gravava um disco, até hoje inédito. “Ele tinha um cantar singular e sonhava imortalizar esse canto na indústria fonográfica. A história dele me revela muito dos artistas negros que enfrentaram preconceitos buscando aceitação”, diz Dillon, que arrebatou a plateia ao reunir imagens de arquivo raras da cena musical de Cuba e do México nas décadas de 1950 e 60. “Minha trajetória como ator me deu subsídios afetados para a forma de abordar os meus entrevistados”.
Até hoje, “El Gran Fellove” não estreou no Brasil. Quem sabe o barulho da nova edição de San Sebastián não serve de estímulo aos distribuidores locais. Por lá vai ter a produção do Centro-Oeste “Madalena”, de Madiano Marcheti (um estudo sobre a transfobia) e o curta musical carioca “Fantasma Neon”, que rendeu o Leopardo de Ouro a Leonardo Martinelli, em Locarno, em agosto. A maratona espanhola segue até o dia 25.

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