Diretor de ‘Truman’ segue ‘Sentimental’

Diretor de ‘Truman’ segue ‘Sentimental’

Rodrigo Fonseca

23 de setembro de 2020 | 06h52

RODRIGO FONSECA
Campeão de bilheteria no Velho Mundo e no Brasil, onde “Truman”, de 2015, que lotou salas por meses a fio, Cesc Gay vai sacudir os padrões morais de seu país, pelas telas do 68. Festival de San Sebastián, com “Sentimental”. De DNA catalão, o realizador e dramaturgo leva aos cinemas no dia 30 de outubro uma peça de sua lavra, “Los Vecinos de Arriba”, que vendeu cerca de 500 mil entradas em palcos ibéricos e nas Américas.
“Já falei de finitude, já desafiei o senso latino de virilidade, mas a questão que me importa é falar da fragilidade sem cair no lado caricato dos excessos do querer”, disse Cesc ao P de Pop quando “Los Vecinos de Arriba” virou uma febre nas artes cênicas.

Ele ainda é conhecido entre os brasileiros pela comédia em episódios “O Que os Homens Falam”, lançada em solo nacional em 2014. Ali, ele iniciou uma parceria com Ricardo Darín, injetando um pouco da comicidade argentina nas veias de Barcelona. Mas Darín não volta em seu novo longa e, sim, um outro parceiro: Javier Cámara, também visto em “Truman”.
E com ele estão os talentos de Belén Cuesta, Griselda Siciliani e Alberto San Juan. Nenhum dos quatro esteve nas montagens teatrais. E eles se combinam numa história de ciúmes, provocações e acomodações dos ritos do dia a dia.
“Fomos criados no melodrama e aos exageros do folhetim voltamos, para poder redesenhá-lo”, disse Javier ao Estadão em uma entrevista no México, em 2018.

No enredo de “Sentimental”,
Julio (Cámara) e Ana (Griselda) vivem o ocaso do desejo em seu casamento. Um jantar oferecido por eles a seus novos vizinhos, Laura (Bélen) e Salva (San Juan), detona um mar de angústias – e de situações hilárias – a partir de uma proposta inusitada.

“A ironia pode levar à amenidade ou a uma renovação”, disse Cesc à época de “Truman”.

San Sebastián segue até sábado, quando a Concha de Ouro e os demais prêmios serão entregues pelo júri presidido pelo diretor italiano Luca Guadagnino (de “Me Chame Pelo Seu Nome”). Até agora, os três concorrentes mais fortes são “Beginning”, da diretora estreante Dea Kulumbegashvili (Geórgia); “Another Round” (“Druk”), do dinamarquês Thomas Vinterberg; e “Supernova”, do inglês Harry Macqueen. Nesta quinta, o genial ator Viggo Mortensen (o Aragorn da trilogia “O Senhor dos Anéis”) vem a Donostia (nome da cidade no dialeto local) para exibir sua estreia como realizador: “Falling”.

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