Diretor de ‘Elle’ preside o júri de Berlim: a volta por cima de Verhoeven

Diretor de ‘Elle’ preside o júri de Berlim: a volta por cima de Verhoeven

Rodrigo Fonseca

09 Dezembro 2016 | 09h31

Paul Verhoeven orienta Isabelle Huppert nos sets de

Paul Verhoeven orienta Isabelle Huppert nos sets de “Elle”: sucesso de crítica e público levou o septuagenário diretor holandês à Berlinale, como presidente de júri do Urso de Ouro de 2017

RODRIGO FONSECA

Rechaçado por Hollywood, num dos gestos de ingratidão mais vis da história da arte, depois do fracasso de seu (hoje cultuado) Showgirls (1995), o cineasta holandês Paul Verhoeven anda flanando por céus de brigadeiro desde a consagração internacional de público e crítica de seu Elle, tendo recebido nesta sexta uma honraria para poucos: ele foi convocado para presidir o júri do 67º Festival de Berlim (9 a 19 de fevereiro). A atitude de Dieter Kosslick, o atual presidente da Berlinale, demonstra afinação plena com as tramitações industriais do cinema – coisa que o evento nem sempre levava em consideração -, reconhecendo o domínio absoluto do realizador de Instinto Selvagem (1992) sobre as cartilhas de gênero. Aliás, neste sábado, ele pode sair com um balde de troféus da Polônia, na cerimônia de entrega do European Awards, o Oscar do Velho Mundo, no qual é o favorito com seu longa-metragem mais recente, protagonizado por Isabelle Huppert.

 

“Exercício de observação de comportamentos, Elle é um híbrido do que eu fazia em Hollywood, nos anos 1980 e 90, com experimentos realizador na minha volta ao meu cinema natal, lá na Holanda, em A Espiã, há uma década”, definiu Verhoeven ao P de Pop, em sua passagem por Cannes, em concurso pela Palma de Ouro. “Neste longa, eu trabalhei com todo o rigor de um filme de estúdio, mas com a liberdade inventiva de uma produção autoral europeia, de pesquisa narrativa, usando duas câmeras no set”.

Esta semana, seu Elle foi eleito o filme do ano pela Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACC-RJ). Aposta-se que ele estará na lista de indicados ao prêmio de melhor filme estrangeiro na seleção do Globo de Ouro, a ser divulgada na segunda pela Hollywood Foreign Press Association (HFPA). Em sua estreia na França, o longa contabilizou cerca de 500 mil pagantes em apenas três semanas.

Estima-se que, a partir de segunda, serão divulgadas as primeiras atrações da Berlinale. Embora o evento alemão ainda não tenha feito nenhum anúncio oficial, especula-se que ele trará duas produções brasileiras para suas mostras paralelas: Pendular, de Julia Murat, e Rifle, de Davi Pretto. Fala-se ainda na inclusão do drama histórico Vazante, de Daniela Thomas, e, possivelmente, de Severina, de Felipe Hirsch, filmado com alguns dos maiores atores hispano-americanos, como Alfredo Castro e Javier Drolas. Mas nada passa do palpite até agora, nem a boataria de que T2-Trainspotting, de Danny Boyle, será o filme de abertura.