Dias de Cabíria e noite de Lira na Real_Virtual

Dias de Cabíria e noite de Lira na Real_Virtual

Rodrigo Fonseca

18 de novembro de 2020 | 10h04

Susanna Lira é uma das mais prolíficas diretoras do Brasil na atualidade e fala dessa sua produtividade GG a Bebeto Abrantes e Carlos Alberto Mattos esta noite, no simpósio Na Real_Virtual

Rodrigo Fonseca
Noites de Cabíria – “O” festival do momento no país quando o assunto é a reflexão da força das mulheres na direção – vão começar a partir desta quarta, online, no www.cabiria.com.br, onde seguem até 29 de novembro, com 35 filmes e 22 microfilmes em exibição, além de debates, oficinas, masterclasses e painéis. “SEMENTES”, de Éthel Oliveira e Júlia Mariano, é uma das primeiras atrações dessa maratona, às 20h30 deste 18/11. Antes de sua exibição começar, às 19h, o seminário nº 1 do Brasil na discussão das estéticas documentais, o Na Real_Virtual, também vai falar sobre toda a potência de grandes realizadoras, ao direcionar seus holofotes para uma das mais prolífiicas diretoras desta pátria: a carioca Susanna Lira. Ganhadora do troféu Redentor de melhor documentário no Festival do Rio 2018, com “Torre das Donzelas”, ela é uma usina viva de produção no Brasil, sobretudo na seara documental. Debruçada no roteiro de um longa-metragem de ficção sobre a ex-primeira-dama Maria Thereza Goulart, Susanna virou um sinônimo raro de “quantidade = qualidade” nas telas do Brasil. A prolífica produção de longas e séries da diretora de “Damas do Samba” (2013) e de “Mussum: Um Filme do Cacildis” (2018) trilha uma progressão crescente e surpreendente de excelência.
“Meu primeiro filme de longa-metragem foi ‘POSITIVAS’, de 2009, e, desde então, eu tenho filmado predominantemente histórias de mulheres em fronts de luta. Quando comecei tinha muita dificuldade em emplacar filmes em festivais. Eu tinha a sensação que meus assuntos não interessavam ao grande público e principalmente aos curadores”, lembra Susanna. “Só que ‘POSITIVAS’ ganhou o Redentor de Melhor Documentário pelo júri popular e isso foi como um batismo pra mim. O filme ganhou vários prêmios e, depois disso, eu nunca mais duvidei de que essa pauta não fazia sentido só pra mim, mas era também urgente para todos. Mas tive que ser muito resiliente para seguir, pois, dali para frente, nada foi fácil. Tanto que eu ainda me considero uma mulher em luta constante para fazer alguma diferença no mercado cinematográfico”.

Para saber como ouvir o papo de Susanna esta noite, dá um pulinho na URL da Imaginário Digital, no https://imaginariodigital.org.br/real-virtual/parte-2, para entender mais sobre o simpósio organizado pelos curadores Bebeto Abrantes (diretor e roteirista de farta produção) e Carlos Alberto Mattos (um dos decanos da crítica cinematográfica nacional) com foco na pluralidade de nossa não ficção. Umas das afirmações desse colorido plural na obra de Susanna transparece em seu mais recente trabalho, “Prazer em Conhecer”, exibido no Mix Brasil. Escrito por Michel Carvalho, o filme tem foco nas práticas da sexualidade nestes intolerantes tempos e na prevenção ao HIV. “Acho que estamos vivendo momentos delicados na nossa História, muito sensíveis e muito impactantes”, disse Susanna na homenagem que recebeu do Recine – Festival de Cinema de Arquivo, em agosto. “A gente precisa, realmente, valorizar o documentário social e político, porque é uma tentativa de encapsular esse tempo para que a gente consiga olhar pra ele e rever a História, sem querer que os conflitos que aí estão avancem, sem querer reproduzir o passado”.
No frigir das inquietações documentais do país, Abrantes e Mattos têm agendadas ainda conversas com Adirley Queirós, Claudia Priscilla, Evaldo Mocarzel, Joel Zito Araújo, Kiko Goifman, Roberto Berliner, Sandra Werneck e Walter Salles. Esses papos rolam sempre às 19h, às segundas, quartas e sextas. Valem a atenção, o estudo e o aplauso.

p.s.: Às 21h, no já citado Cabíria Festival, começa no site do evento uma mostra homenagem à Patrícia Ferreira Pará Yxapy, cineasta indígena da etnia Mbyá-Guarani. Seu tributo inclui 11 filmes, entre os quais “Bicicletas de Nhanderu” (2011), com o Coletivo de Cinema Mbya-Guarani, e “Desterro Guarani” (2012). Nesta quinta, às 20h, o evento promove o debate “O direito à própria história e ao próprio corpo”, com Estela Lapponi, Everlane Moraes e Stheffany Fernanda. A mediação será feita por Sabrina Fidalgo.

p.s.2: Tem Jia Zhangke na MUBI: “Os Hedonistas” (2016) está online na plataforma de curadoria humanizada. Na China, três operários desempregados de Shanxi estão procurando um emprego. Após várias tentativas sem sucesso, sua última esperança é serem contratados em um parque de diversões surrealista. Esse enredo mistura antropologia, humor e a cartografia sociológica habitual do realizador de “Um Toque de Pecado” (2013).

p.s.3: Afinada com a urgente necessidade de se erradicar o racismo, a Globo escala o genial Idris Elba como destaque de sua madrugada: à 1h25 rola “Mandela: O Caminho Para a Liberdade” (“Long Walk to Freedom”, 2013), do inglês Justin Chadwick. É um dos muitos trabalhos que deveriam ter levado o genial ator britânico de 48 anos ao Oscar. A biopic escalada pela Globo relembra o percurso de Nelson Mandela desde a sua infância, em um meio rural, até a eleição democrática ao cargo de presidente da África do Sul, combatendo o apartheid. Marco Antônio Abreu dubla Elba no longa, que também será exibido no Globoplay.

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