‘Diabolik’ encara o novo Homem-Aranha na Itália

‘Diabolik’ encara o novo Homem-Aranha na Itália

Rodrigo Fonseca

29 de dezembro de 2021 | 13h48

Rodrigo Fonseca
Enfim os italianos podem conferir a (nova) versão em carne e osso de uma de suas HQs mais populares, que vem brigar nas bilheterias com a hegemonia do Homem-Aranha nas telas da Europa: “Diabolik”. Lançado em Roma e arredores no dia 16 de dezembro, apoiado no carisma do ator Luca Marinelli (de “Martin Eden”), o longa-metragem leva às telas o ladrão criado em 1962 pelas Irmãs Giussani: Angela (1922 – 1987) e Luciana (1928 – 2001), ambas de Milão, Marinelli vive um ladino e assassino mascarado que usa as mais criativas técnicas para roubar dos ricos (em especial, criminosos) e dar a… seus bolsos. Celebrizado nos cinemas, em 1968, em filme de Mario Bava (1914-1980), com John Phillip Law (1937-2008), Diabolik retorna agora sob a direção dos irmãos Antonio e Marco Manetti. O trailer do longa, ainda inédito por aqui, é regado de adrenalina, o que gera a expectativa de uma apresentação especial dessa superprodução no 72º Festival de Berlim (10 a 20 de fevereiro), fora de concurso. Mas tudo não passa de torcida de fãs. E são muitos, pois o quadrinho já vendeu em torno de 150 milhões de cópias pelo mundo. No Brasil, os leitores das Giussani e do rol de roteiristas e desenhistas que elas mobilizaram da década de 1960 até hoje podem esperar uma nova coletânea do ladino publicadas pela Editora 85. Mestre em disfarces e ás na luta com facas, o contraventor com aspecto de ninja teve três passagens pelo Brasil até o ano de 1991.

A partir das tramas boladas pelas Giussani, a base de operações de Diabolik é a cidade fictícia de Clerville, inspirada em Genebra, na Suíça, onde seus gibis são vendidos em mercados. O personagem teve suas feições, escondidas sob um capuz negro, decalcadas do ator Robert Taylor (1911-1969), astro da velha Hollywood que o escalou para épicos como “Quo Vadis” (1951). Nas histórias em quadrinhos, o nome do larápio nunca foi revelado. Ele usa seus dons em furtividade, seu domínio sobre múltiplas línguas e sua invejável destreza com facas para lucrar, correndo o mundo com a ajuda de sua parceira e amante Eva Kant. A atriz siciliana Miriam Leone interpreta Eva no longa dos Irmãos Manetti, que escalaram Valerio Mastandrea para viver o inspetor Ginko, algoz de Diabolik. Ninguém sabe ao certo que tramas dos gibis alimentaram o roteiro do filme, mas seus primeiros reclames sugerem muita brutalidade e sangue, evocando a tradição italiaba dos giallo, thrillers de suspense ou de terror centrados em assassinos com lâminas afiadas.

p.s.: Palma de Ouro de 2016, “Eu, Daniel Blake”, de Ken Loach, está em cartaz no Globoplay. Na trama, um faz-tudo (Dave Johns) tenta ajudar uma mãe de família (Hayley Squires) a cuidar de sua família apesar da alta taxa de desemprego que assola a Inglaterra.

p.s.2: Nesta quinta-feira, a Cinémathèque Française exibe “Aliens, o Resgate” (1985), de James Cameron, numa retrospectiva sobre grandes sucessos de ação de Hollywood.

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