Dez obrigatórias adaptações de quadrinhos para os cinemas

Dez obrigatórias adaptações de quadrinhos para os cinemas

Rodrigo Fonseca

04 de maio de 2016 | 13h24

Frente ao sucesso de Capitão América: Guerra Civil, neste ano já assolado por Deadpool e Batman vs. Superman: A Origem da Justiça, é importante uma revisão crítica da história das HQs na telona, para uma recontextualização de projetos com base em gibis que andam esquecidos, apesar de toda a sua riqueza estética. Confira a seguir uma lista de dez adaptações obrigatórias:

“Blade, o Caçador de Vampiros” (1998)

Blade, o Caçador de Vampiros (1998), de Stephen Norrington: A Marvel deve um “Muito obrigado!” a Wesley Snipes por ele ter levantado este projeto de transpor um herói classe B às telas num momento em que gibis se tornaram uma matéria-prima maldita no cinema, por conta do fracasso retumbante de Batman & Robin (1997). Sua bilheteria beirou US$ 130 milhões. O astro não apenas criou uma franquia marcada por sequências de luta insuperáveis até hoje como estabeleceu um novo conceito de heroísmo na telona, rompendo com a hegemogia wasp ao afirmar suas raízes africanas.

“Dick Tracy” (1990)

Dick Tracy (1990), de Warren Beatty: Presta a voltar às telas este ano, após um sumiço de 15 anos, dirigindo um drama sobre o cineasta e magnata da aviação Howard Hughes, o mais notório devorador de mulheres de Hollywood levou às tiras de Chester Gould às telas em 1990, numa luxuosa (e autoral) adaptação. A produção faturou US$ 162 milhões e ganhou três Oscars: direção de arte, canção e maquiagem.

“Pelo Amor e Pela Morte” (1994)

Pelo Amor e Pela Morte (1994), de Michele Soavi: Com base na graphic novel Dellamorte Dellamore, do italiano Tiziano Sclavi, que foi a precursora da figura iconoclasta do detetive Dylan Dog, o diretor Michele Soavi, de cults como A catedral (1989), filmou uma espécie de ensaio sobre a morbidez, premiado mundialmente. O filme fez do ator inglês Ruppert Everett (de O Casamento do Meu Melhor Amigo) uma referência de talento internacional. Ele encarna Francesco Dellamorte, um coveiro que se vê obrigado a matar os mortos de seu cemitério uma segunda vez ao notar que eles se levantam das covas famintos.

“O Combate – As Lágrimas do Guerreiro” (1995)

O Combate, as Lágrimas do Guerreiro (1995), de Christophe Gans: Apoiado nas lutas acachapantes do mangá Crying Freeman, de Ryoichi Ikegami e Kazuo Koike, o diretor francês responsável pelo impecável O Pacto dos Lobos (2001) criou sequências de batalha até hoje impressionantes, com a ajuda do ator e lutador havaiano Mark Alan Dacascos. Desafiando leis da gravidade, Dacascos encara a máfia japonesa no Canadá, dando vida a um assassino de aluguel apaixonado que chora quando mata.

“Modesty Blaise” (1966)

Modesty Blaise (1966), de Joseph Loosey: Xodó de Quentin Tarantino, a espiã criada por Peter O’Donnell e Jim Holdaway, em 1963, estrela a capa da graphic novel que está nas mãos de Vincent Veja (John Travolta) quando este é assassinado em Pulp Fiction (1994). Fetiche de gerações de leitores, a femme fatale ganhou as curvas de Mônica Vitti, musa italiana em seu primeiro trabalho falado em inglês. A canção Modesty, da dupla David e Jonathan, embalou este thriller sofisticado, indicado à Palma de Ouro em Cannes. Na trama, a agente secreta e seu parceiro Willie (Terence Stamp) têm de resguardar os diamantes de um xeique de uma quadrilha internacional liderada por Gabriel, um chefão encarnado pelo genial ator Dirk Bogarde.

“O Justiceiro” (1989)

O Justiceiro (1989), de Mark Goldblatt: Montador aclamado na seara da ação por cults como Ninja – A Máquina Assassina (1981) e O Exterminador do Futuro (1984), Mark Goldblatt arriscou-se na direção com Policiais em Apuros (1988), com Treat Williams. Como a experiência deu certo, ele foi cotado para adaptar o polêmico exército-de-um-homem-só da Marvel Comics tendo o carisma do sueco Dolph Lundgren a seu dispor. Com base no vigilante criado por Gerry Conway e John Romita Sr. Em 1974, como um coadjuvante do Homem-Aranha, Frank Castle surge aqui armado até os dentes, vestido de preto, como um ex-policial em busca de vingança contra os mafiosos que mataram sua família. Louis Gossett Jr. é o ex-parceiro do tira, empenhado em ajudá-lo em sua cruzada de vingança. Anedota: quando exibido no Rio de Janeiro, em 1991, o filme foi projetado no extinto Cine Rosário, no bairro de Ramos, no subúrbio carioca. Numa tarde, o cinema foi invadido por ladrões armados, que gritaram contra a plateia para avisar que era um assalto, mas nenhum espectador sequer se coçou, pois a tentativa de roubo ocorreu na sequência em que o Justiceiro baleava seus inimigos com uma ruidosa metralhadora giratória.

“Rocketeer” (1991)

Rocketeer (1991), de Joe Johnston: Dave Stevens tomou os quadrinhos de assalto ao recriar a inocência da América dos idos de 1930 na história de um piloto que se tornava um jato humano. A HQ rendeu um filme juvenil de edição primorosa, com Jennifer Connelly de pin-up;

“Monstro do Pântano” (1982)

O Monstro do Pântano (1982), de Wes Craven: Mestre absoluto do terror, Wes Craven era mais versátil do que se diz e pôs todo o seu talento à prova nesta adaptação da HQ de Len Wein e Bernie Wrightson, com o ótimo ator Ray Wise (o Leland Palmer de Twin Peaks) como Dr. Alec Holland. Na trama, um acidente com substências químicas faz de Holand uma criatura ligada ao Verde, a força essencial da natureza. Em 1989, a produção ganhou uma sequência ainda mais pop, dirigida por Jim Wynorski, tendo Heather Locklear, de Barrados no Baile como mocinha.  

“Blueberry” (2004)

Blueberry (2004), de Jan Kounen: Numa época em que o cinema europeu resolveu reagir ao boom de filmes de HQ hollywoodianos tirando do baú os maiores heróis das bandas desenhadas do Velho Mundo, o xerife celebrizado na pena de Jean “Moebius” Giraud dispôs de todo o talento do astro francês Vincent Cassel para sair do papel. Michael Madsen e Juliette Lewis entram no elenco desta coprodução anglo-franco-mexicana que torrou 36 milhões de euros em suas filmagens. Com um visual dark, diluído numa estética de videoclipe, este bangue-bangue acompanha a batalha de Blueberry contra exploradores de ouro que profanam terras indígenas.

“Brenda Starr” (1989)

Brenda Starr (1989), de Robert Ellis Miller: Esnobado à época de sua estreia, este exercício de metalinguagem comprovou o talento (hoje subestimado) de Brooke Shields, com base nas tirinhas de Dale Messik. Na trama, o criador da personagem, chamado na trama de Mike Randall (Tony Peck) mergulha no mundo da repórter Brenda (Brooke) acompanhando-a a uma viagem pela floresta amazônica, na qual ela busca o segredo de um combustível derivado de água potável. É camp até a alma, mas diverte, sobretudo quando o ex-007 Timothy Dalton está em cena.