Depois do César, ‘Druk’ entra na mira do Oscar

Depois do César, ‘Druk’ entra na mira do Oscar

Rodrigo Fonseca

14 de março de 2021 | 11h30

Mads Mikkelsen tem uma atuação memorável em “Druk – Mais Uma Rodada”

RODRIGO FONSECA
Quem fez a festa na entrega do César 2021 foi “Adieu Les Cons”, de Albert Dupontel, levando seis troféus pra casa, incluindo os de melhor filme, diretor e roteiro original, na festa do Oscar dos franceses. Mas um dos prêmios que mais fizeram diferença na cerimônia foi o de melhor filme estrangeiro, confiado a “Druk – Mais Uma Rodada” (“Another Round”), do dinamarquês Thomas Vinterberg, previsto para estrear aqui no dia 25. Nesta segunda, quando saírem as indicações às estatuetas da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, estima-se que seu nome esteja entre os indicados e se fala ainda em uma possível indicação pra Mads Mikkelsen, por sua genial atuação. Esta dramédia é dedicada postumamente a Ida, a filha de Vinterberg. Em 2019, a jovem morreu em um acidente de trânsito, quando o projeto já estava em andamento. “Foi muito difícil seguir e ainda é duro falar disso, mas ela gostava muito do projeto, sobretudo por ele ser uma afirmação da vida. Decidimos que, por isso mesmo, era importante seguir”, disse o diretor, que retoma sua parceria com Mikkelsen, testada e aprovada em “A Caça” (2012). “Mads é um ator espetacular, que tem um domínio cênico sobre tudo o que propomos”.
Em setembro passado, o Festival de San Sebastián, no norte da Espanha, tomou um porre de doer o coco do copo de “Druk”. Na trama, o professor de História Martin (Mikkelsen, assombroso em cena) começa sua participação numa narrativa que utiliza bebedeiras para falar da ressaca moral que a vida adulta nos impõe. “Nosso assunto aqui é descontrole. Como havia um ator ligado ao AA no set, nenhuma bebida foi servida. Tudo era sóbrio”, afirmou o cineasta em entrevista ao P de Pop, na Espanha.

Chancelado com o selo de Cannes de 2020, tendo sido escolhido para o festival francês, numa competição em maio, que não ocorreu devido à pandemia, “Druk” foi aclamado em sua passagem pelo TIFF – Toronto International Film Festival e veio a Donostia (o nome com que San Sebastián é conhecido no dialeto local de sua cidade, o Euskara) para sair devidamente consagrado, coroado com um prêmio coletivo de melhor interpretação coletiva dado a Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Magnus Millang e Lars Ranthe. Famoso pela série “Hannibal”, o astro de “A Caça” tem um desempenho sublime, mais do que seu habitual. Porém o roteiro escrito por Vinterberg com Tobias Lindholm é tão possante quanto sua atuação. Nele, Martin, em baixa em sua carreira e em seu casamento, recebe o apoio dos amigos, que o desafiam a um experimento: testar, na prática, a máxima de que o corpo humano tem uma carência essencial ao álcool. A cada gole, ele vai se soltando, crescendo, empoderando-se. Mas há um limite para a bebida na contenção de seus demônios. “Todo mundo sabe o limite em que pode chegar nos excessos”, diz Vinterberg. “É preciso respeitar esses limites, sem deixar de celebrar a vida”.
Tema de uma das sequências mais catárticas da carreira de Mikkelsen, a canção “What a Life”, gravada por Scarlet Pleasure para o filme, vem viralizando na web desde setembro, ampliando a popularidade de “Druk”.

p.s.: Tem Halle Berry na “Tela Quente” desta segunda-feira em “Sequestro” (“Kidnap”, 2017), de Luis Prieto. Na trama, a garçonete Karla embarca numa jornada desesperada para descobrir o paradeiro de seu filho desaparecido. No Brasil, Silvia Suzy dublou a atriz.

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