Denzel Washington brilha em múltiplas telas

Denzel Washington brilha em múltiplas telas

Rodrigo Fonseca

08 de maio de 2022 | 11h25

“O Protetor” é a atração do “Domingo Maior” da Globo esta noite

RODRIGO FONSECA
Tem Denzel Washington em circuito, mas do outro lado das câmeras, na direção: “Um Diário Para Jordan: Memórias De Amor E Perda” (“A Journal For Jordan”), que rola, aqui no Rio de Janeiro, às 16h e às 21h10, no Espaço Itaú. Este drama de guerra transborda mel ao recriar a história real do soldado Charles Monroe King (papel confiado a Michael B. Jordan, de “Creed”), que deixou um diário para o filho, antes de morrer em Bagdá.

Denzel, de máscara, dá instruções a Michael B. Jordan nos sets de “Um Diário Para Jordan: Memórias De Amor E Perda”, hoje em cartaz nos cinemas

Tem Denzel novo na streaminguesfera, “A Tragédia de Macbeth” (“The Tragedy of Macbeth”), de Joel Coen, que valeu ao astro uma indicação ao Oscar de melhor ator. Beira o estonteante a versão dublada desta adaptação de Shakespeare, graças ao trabalho de Garcia Júnior cedendo seu vozeirão a Denzel. Garcia ajudou o Brasil a se alfabetizar nas manhas do audiovisual dos anos 1980 pra cá, quando dublou He-Man, McGyver e outros heróis. E, na maturidade de seu ofício, ele esbanja inteligência ao encapar de poesia a transposição para o Português das falas do bardo inglês. O longa está na Apple TV. Numa outra plataforma, a Star Plus, também é possível ouvir Jr. dublar Washington: basta conferir “Jogada Decisiva” (“He Got Game”, 1998), de Spike Lee. Um dos maiores sucessos comerciais da carreira do realizador de “Faça a Coisa Certa” (1989), nunca lançado em salas de exibição no Brasil. Nele, DW encarna um presidiário que tem a chance de ter sua pena reduzida caso convença seu filho, um ás do basquete, a se render a um esquema esportivo. É outro golaço de Garcia na arte de dublar. A engenhosidade dele na compreensão e na reinvenção do ferramental dramático de Denzel é impressionante.

Garcia Júnior dubla o astro em “A Tragédia de Macbeth”, que está na Apple TV

E se não bastasse, tem Denzel HOJE na televisão, na TV aberta: “O Protetor” (“The Equalizer”, 2014) passa às 23h40 no “Domingo Maior” da Globo. Mas, ali, quem dubla é Guilherme Briggs.
“The Equalizer” foi um seriado de sucesso nos anos 1980, criado por Richard Lindheim (1939–2021) e Michael Sloan, com o ator Edward Woodward (1930–2009) no papel de superagente aposentado em fase de vigilantismo. Essa produção voltou à TV e à streaminguesfera com Queen Latiffah (aqui dublada por Mônica Rossi) como protagonista. A reinvenção da série, traduzida por aqui como “O Justiceiro”, é parte de um esforço da rede CBS para revivificar grifes televisivas de prestígio no passado. Era Robert McCall e virou Robyn, numa escalação de elenco precisa. Mas antes de Queen, quem calçou os sapatos de McCall foi Denzel Hayes Washington Jr. Na web, na HBO Max, à frente do thriller “Os Pequenos Vestígios”, Denzel interpretou Robert num par de longas-metragens dirigidos por Antoine Fuqua. O primeiro “O Protetor”, de 2014, custou US$ 55 milhões e arrecadou US$ 192 milhões. O segundo, de 2018, custou US$ 62 milhões e faturou US$ 190 milhões, sendo embalado em elogiosas resenhas.

Soturno em sua representação das relações sociais, mas taquicárdico na costura de tiroteios, brigas e perseguições, “O Protetor” espelha a maturidade narrativa de Fuqua como cineasta, numa linha evolutiva pela estrada da autoralidade. Denzel injeta carisma na pele de um ex-fuzileiro promovido a espião, mas afastado da ativa por traumas do passado. A química entre ele é Fuqua é precisa. O diretor é famoso por sucessos como “Dia de Treinamento” (2001), pelo qual seu astro (e amigão do peito) Mr. Washington conquistou o Oscar de Melhor Ator. Seu primeiro bom trabalho foi “Assassinos Substitutos”, lançado no Brasil em 1998, com Mira Sorvino e Chow Yun-Fat. Há numerosas falhas de roteiro na “parte dois” das aventuras do ex-agente (hoje motorista de aplicativo) Robert McCall, como a ausência de explicações minimamente convincentes acerca dos infinitos dividendos gastos pelo herói em sua campanha contra o Mal. Ele é quase um Bruce Wayne, com sua conta bancária inesgotável. Mas, no modo azeitado como Fuqua conduz sequências calcadas em violência e adrenalina, os furos do longa-metragem fazem apenas cócegas na Lógica, sem deixar danos mais graves no Prazer… prazer deixado pela marca autoral deste realizador americano.
Piloto de videoclipes com Toni Braxton e Prince, Fuqua dá à figura de McCall, bem dublada por Briggs, um status de James Bond. McCall forjou a própria morte após uma missão equivocada sob as ordens da Casa Branca. Não se explica muito bem o que houve com ele na ocasião, menos ainda se explica sobre como ele consegue viajar o mundo todo ajudando pessoas. No primeiro filme, que a Globo transmite hoje, ele se concentra em mulheres agredidas e escravas sexuais.

p.s.: Não perca “SILVERTON: CERCO FECHADO” (“Silverton Siege”, 2022), de Mandla Dube. Uma joia do cinema da África do Sul, pilotada pelo realizador de “Kalushi – Fogo contra Fogo” (2016). Após o fracasso de uma missão de sabotagem, um trio de rebeldes contra o apartheid acaba em uma situação com reféns em um banco. Baseado em uma história real. Thabo Rametsi brilha como Calvin, líder da célula rebelde, num elenco que traz o ótimo Arnold Vosloo. Onde ver: Netflix.

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