De Gaulle, o filme

De Gaulle, o filme

Rodrigo Fonseca

11 de janeiro de 2020 | 11h23

Rodrigo Fonseca
Uma vez que a Berlinale.70 (20 de fevereiro a 1º de março) faz mistério acerca de seus títulos em disputa pelo Urso de Ouro, a ser concedido por um júri presidido pelo ator inglês Jeremy Irons, a indústria do cinema se contorce em especulações acerca do que possa ser exibido, em concurso, no festival alemão, incluindo aí o esperado “De Gaulle”, de Gabriel Le Bomin. Há quem aposte nele como atração de abertura de Berlim, mas em competição. A produção, protagonizada pelo ótimo Lambert Wilson, é centrada nas estratégias políticas tramadas pelo estadista Charles André Joseph Marie de Gaulle (1890-1970) em meio ao avanço do nazismo. O longa-metragem vai ser um dos assuntos debatidos, a partir de quinta-feira, no 22º Rendez-vous Avec Le Cinéma Français. Esse nome soa pomposo para fazer jus ao evento a que se refere: um fórum promocional idealizado para atrair os holofotes mundiais para a nova safra da França no audiovisual. Toda a vitalidade e a diversidade de gêneros dos franceses em circuito serão celebradas de 16 a 20 de janeiro em Paris. Estima-se a presença de cerca de 100 artistas, entre atrizes de fama mundial, galãs queridos por plateias de múltiplas línguas e cineastas de veia autoral: entre os quais o mestre das narrativas sociológicas Robert Guédiguian (com o inédito “Gloria Mundi” para lançar) e a sensação dos anos 1990 Julie Delpy (que acaba de dirigir o drama “My Zoe”). Ambos vão passar pelo painel de tendências estéticas concentrado no Hotel Le Collectionneur, na Rue de Courcelles. Lá será a sede da 22ª edição do Rendez-vous, realizado anualmente pela Unifrance. Esse é o órgão do governo da França responsável pela manutenção e promoção da indústria audiovisual. A cada ano, a Unifrance promove um encontro reunindo cerca de 400 distribuidores de todo o planeta para divulgar prováveis sucessos de bilheteria e experimentos narrativos com fôlego para desafiar as convenções cinematográfica.

Na semana que vem, emissários de 81 filmes vão passar pelas ruas parisienses, batendo ponto no Le Collectionneur, para um papo com cerca de 450 distribuidores e 120 jornalistas de 49 países, revelando as tendências que hão de mobilizar espectadores no planisfério cinéfilo. “Hors Norme” é um dos estandartes desta edição não apenas por toda a popularidade de Cassel e Kateb, mas pela grife popular em seus créditos de direção: Éric Toledano e Olivier Nakache. Foram eles que, em 2011, dirigiram “Intocáveis”, dramédia que vendeu cerca de 20 milhões de ingressos, sendo refilmada na Argentina e nos EUA e sendo adaptada como peça para os palcos brasileiros (como Marcelo Airoldi e Ailton Graça). Fala-se muito ainda de “Mama Weed”, de Jean-Paul Salomé, com Isabelle Huppert no papel de uma tradutora de árabe que trabalha, secretamente, como espiã. Esse é um dos títulos esperados para a 70ª Berlinale também. O Rendez-vous ainda deve mandar para Berlim a comédia de costumes “La bonne épouse”, de Martin Provost, sobre o sexismo nos anos 1960, com Juliette Binoche.
Mas se espera muito da carreira internacional de Lambert Wilson em “De Gaulle”. Há quem aposte em prêmios diversos (até indicações ao Oscar) para o ator e cantor francês de 61 anos, que foi um dos xodós de Alain Resnais. Ele empresta seu carisma à figura de De Gaulle num episódio de negociação com os ingleses, em 1940, a fim de deter o avanço de Hitler. Em 2016, o astro brilhou em “A Odisseia de Jacques”.

Estima-se que o Rendez-vous da Unifrance jogue holofotes ainda sobre o esperado “Annette”, de Leos Carax, que traz Marion Cotillard no papel de uma cantora de ópera às voltas com uma filha dotada de superpoderes. Adam Driver, o astro do momento, vive o pai da menina.

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