DC Fandome: 80 anos da Mulher-Maravilha

DC Fandome: 80 anos da Mulher-Maravilha

Rodrigo Fonseca

06 de outubro de 2021 | 11h10

Rodrigo Fonseca
Faltam dez dias para o DC Fandome, o evento pop mais esperado pela cultura nerd, capaz de envolver gibis, os filmes da Warner Bros. e os projetos serializados da plataforma HBO Max, como o esperado “Peacemaker”, com John Cena sob o elmo do Pacificador. Mas uma das atrações mais aguardadas do fórum anual da DC Comics – que poderá ser acessado online pela URL www.DCFanDome.com no dia 16 – é a comemoração dos 80 anos da Mulher-Maravilha, que sopra velinhas no dia 21 de outubro. Ela surgiu nas páginas do “All Star Comics” #8, em 1941. A fim de celebrar a heroína mais cultuada das HQs, criada pelo psicólogo e escritor William Moulton Marston (1893-1947), será lançado um gibi de luxo, com histórias ilustradas por José L. García López, Amy Reeder, Paulina Ganucheau e Jim Cheung, escritas por Jordie Bellaire, Amy Reeder, Becky Cloonan e Michael Conrad.Em paralelo, a HBO Max exibe “Mulher-Maravilha 1984” em sua grade.

Gal Gadot no longa de Patty Jenkins lançado em 2020

Lançado em meio à pandemia, no apagar das luzes de 2020, o longa-metragem teve um faturamento de US$ 166 milhões em circuito exibidor. Sua narrativa é uma finíssima alegoria política em sua reflexão sobre a gênese de figuras como Donald Trump: magnatas que encontram no exercício do Poder uma satisfação de sua libido de comando. Esse é o lugar simbólico ocupado pelo vilão Maxwell Lord, empresário que sempre se apresenta como uma estrela da TV e vai, minuto a minuto, depurando sua sordidez em prol de um projeto de controle, sem perder um quinhão de humanidade em sua relação com o filho. Na trama, ambientada na década de 1980, ele se apossa de um minério mágico, capaz de realizar as vontades alheias, roubando as forças e certas virtudes de quem atende, abrindo um desequilíbrio global que só a Princesa das Amazonas (Gal Gadot, em inspirada atuação) pode deter. Gal é dublada por Flávia Saddy no Brasil.
No DC Fandome de 2020, o longa baseado na vigilante criada por Marston foi um ímã de holofotes e de sorrisos dos fãs. No enredo, Diana arrasta um fardo em relação ao conceito de “verdade”, em função de um erro que cometeu na infância, e Lord se põe diante dele como sendo alguém que traduz o oposto da veracidade, ao vender ilusões, ao apostar na mentira. A monumental atuação do chileno Pedro Pascal já garantiria à figura uma potência humanista tridimensional. Mas há na direção de Patty Jenkins – que também dirigiu o “Wonder Woman” original, de 2017, e volta mais requintada agora, em sua depuração formal – um esforço de se abrir diferentes dimensões de caráter e afeto em todos os personagens. É um modo de fugir do maniqueísmo. numa marca (autoralíssima) da cineasta, ativa desde seu primeiro filme de sucesso: “Monster – Desejo Assassino” (2003), no qual sulca camadas que relativizam as ações mais nefastas de seus personagens. Mais do que construir uma instância alegórica a partir da realidade governamental dos EUA do trumpismo, Patty é feliz ainda numa revisão dos códigos da cartilha dos filmes de super-herói, numa explícita homenagem ao cult “Superman, O Filme” (1978), de Richard Donner, não apenas na trilha sonora de Hans Zimmer como nas sequências de Diana (alter ego da Mulher-Maravilha) aprendendo a voar. O terceiro ponto de excelência narrativa da supepreodução é o afinado diálogo do roteiro escrito por Patty, Dave Callaham e Geoff Johns com as HQs dos anos 1980, quando os personagens da DC (a maior rival da Marvel no mercado editorial de gibis) revitalizou suas heroínas e heróis, realçando fraquezas de modo a atenuar seres antes celebrizados por seus poderes.

Como espetáculo audiovisual, esta “parte dois” das aventuras de Diana tem uma altíssima voltagem de ação, numa montagem eletrizante, mas atenta a situações irônicas, como o divertido processo de reeducação de Steve Trevor (Chris Pine, em impecável atuação) desaparecido na I Guerra e resgatado em 1984, tendo que aprender como se vestir numa época em que pochete era moda.
Vale lembrar que tem a Mulher-Maravilha de Gal Gadot também no “Liga da Justiça Snyder Cut”, já lançado na HBO Max. É uma nova montagem para o longa de 2017, de Zack Snyder.
Um dos principais lançamentos da DC Fandome de 2021 é o quadrinho “Batman: The Imposter”, minissérie vitaminada pela arte sombria de Andrea Sorrentino. O roteiro de Mattson Tomlin dialoga com o novo filme do Homem-Mocego, estrelado por Robert Pattinson, previsto para estrear em março. Na trama, o jovem Bruce Wayne caça um assassino que finge ser um herói.

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