Cult brasiliense regressa à telona em festival do DF

Cult brasiliense regressa à telona em festival do DF

Rodrigo Fonseca

16 de setembro de 2017 | 12h19

Fernanda Rocha tem desempenho memorável em “O Último Cine Drive-In”

Rodrigo Fonseca
Talvez o mais afetivo – e sem dúvida um dos mais possantes – de todos os filmes feitos no DF em todos os tempos, O Último Cine Drive-in volta ao espaço nobre da tela grande neste sábado, na arrancada inicial do 50º Festival de Brasília, para uma projeção numa cidade satélite (região administrativa): São Sebastião. Será neste sábado, às 20h. Em Gramado, há dois anos, o longa-metragem de Iberê Carvalho fez uma festa na premiação ao conquistar a láurea da crítica e os Kikitos de melhor ator (para Breno Nina, numa atuação avassaladora), melhor coadjuvante (Fernanda Rocha, ganhadora do troféu Redentor no Festival do Rio na mesma categoria pelo trabalho) e direção de arte (Maíra Carvalho).

Disfarçada de fábula, no esforço de abordar uma reconstrução familiar, a produção de R$ 1,4 milhão dirigida por Iberê é uma crítica ao sucateamento das salas de exibição de rua pelo Brasil afora. E ela derrete corações com sua acurada reflexão sobre os desgovernos da Cultura no país. Othon Bastos recebeu um prêmio especial pelo conjunto de sua carreira, no Rio, pelo filme, hoje disponível na grade do Netflix.

Pai e filho em comunhão

Na trama, um parque de projeção dito O Último Cine Drive-in de Brasília, mantido há décadas pelo exibidor Almeida (defendido com garra por Othon) está com os dias contados por escassez de público. Neste momento de risco de portas fechadas, o filho de Almeida, Marlombrando (Breno Nina, impecável), há muito sumido, volta ao convívio do pai. O motivo: a mãe do rapaz, Fátima (Rita Assemany) tem uma doença grave e sonha rever o drive-in no auge de sua beleza. Eis que Almeida e seu rebento terão de acertar suas diferenças, com a ajuda do zelador Zé (Chico Sant’Anna, um dos mais prolíficos atores brasilienses) e de uma projecionista grávida, Paula, interpretada com brio por Fernanda. Salta aos olhos a sutileza com que a atriz cria uma figura de feições masculinizadas, mas de acolhimento maternal.

Famoso por filmes icônicos como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Othon conduz o longa de Iberê à fronteira do trágico com uma interpretação explosiva, resmungona, que vai do fastio ao carinho num piscar de olhos e num tremular de bochechas. É uma aula de atuação.

 

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