Costa-Gavras e a força do cinema brasileiro

Costa-Gavras e a força do cinema brasileiro

Rodrigo Fonseca

19 de janeiro de 2020 | 12h09

Rodrigo Fonseca
Só dá Costa-Gavras em Paris neste domingão. Em meio à promoção mundial de seu novo longa-metragem, “Adults in the Room”, ainda inédito em circuito brasileiro, o cineasta ganhador de Oscars (com cults como “Z”) e da Palma de Ouro (conquistada em 1982, por “Missing”) seguiu atacando o lado mais conservador da política sul-americana. E espera-se dele uma postura ética similar este fim de semana, em que ele leva a produção para o fórum parisiense Rendez-vous Avec Le Cinéma Français, cuja 22ª edição começou na quinta e segue até o dia 20. Esse nome soa pomposo para fazer jus ao evento a que se refere: um encontro promocional, com exibições e competições de curtas e longas, idealizado para atrair os holofotes mundiais para a nova safra da França no audiovisual, no coração de Paris. E, de lá, ele abre o verbo acerca do que classifica como “incongruências do contemporâneo”. Em seu novo trabalho, ele partiu do livro homônimo de Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia, sobre a falência de sua nação. No longa-metragem, o ator Christos Loulis vive o próprio Varoufakis no longa, que se concentra em tramitações políticas e judiciais de 2015 para travar a bancarrota das finanças gregas. Valeria Golino e Ulrich Tukur completam o elenco das produção, que se concentra em tramitações políticas e judiciais de 2015 para travar a bancarrota das finanças gregas.
“Cinema Novo representou um período de criação extraordinário do Brasil para o mundo, dando continuidade ao que a Nouvelle Vague francesa abriu. Mas um cinema como o de vocês não pode existir sem políticas públicas em busca da construção de uma produção audiovisual nacional, o que deve ser uma decisão estratégica dos governantes. Na França, não importa que governe nos legisle: o cinema sempre vai ser mantido, pois ele é uma forma de fazer com que o mundo nos enxergue. Cinema não pode ser controlado por dinheiro. Se for, ele só vai apostar naquilo que não se arrisca”, disse Costa-Gavras ao P de Pop. “Tenho já ideias para novos filmes, mas não gosto de falar no que estar por vir, como projeto, e sim falar sobre o que está para estrear. Hoje, os canais de streaming estão financiando projetos belos e necessários, como “O Irlandês”, que não existiria se dependesse dos estúdios. Os estúdios jamais financiariam um filme como “Z” hoje. Mas é necessário que os canais de streaming, como a Netflix, entendam a dimensão da estreia em tela grande. O cinema é uma janela essencial para revelar mundos que a gente não conhece. Foi o Cinema Novo que me apresentou o Brasil”.

Costa-Gavras fala de filme sobre a crise grega em Paris, no Rendez-vous Avec Le Cinéma Français

Nesta segunda-feira o Rendez-vous da Unifrance chega ao fim, promovendo longas que podem lotar salas nos próximos meses, como “De Gaulle”, com Lambert Wilson na pele do estadista.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: