‘Coringa’, versão brasileira: Hélio Ribeiro

‘Coringa’, versão brasileira: Hélio Ribeiro

Rodrigo Fonseca

03 de outubro de 2019 | 09h51


RODRIGO FONSECA
Gotham City que se cuide: o Coringa chegou, candidatando-se ao posto de filme mais polêmico do ano, uma vez que garantiu à linhagem de longas-metragens baseados em HQs um prestígio inédito: a conquista do Leão de Ouro do Festival de Veneza. Dirigido por Todd Phillips, “Joker” (título original) estreia nesta quinta-feira no Brasil com polpuda oferta de cópias dubladas. A responsabilidade sobre a versão brasileira da interpretação monumental de Joaquin Phoenix foi confiada a um dos maiores atores em atividade no país. No ano em que comemora quatro décadas de dublagem, Hélio Ribeiro – respeitado nos palcos por peças como “Freud – A Última Sessão” e conhecido na televisão por participações em novelas de sucesso como “Êta mundo bom” – empresta a voz a Arthur Fleck (papel de Phoenix). Comediante fracassado, Fleck se transforma no Palhaço do Crime conforme sua psique fraturada serve de esponja para os males do mundo – o dos gibis e o da vida real. Na entrevista a seguir, Ribeiro, que há anos dubla Steve Martin e Kevin Costner, fala do desafio que é encarar a Fênix de Hollywood, em paralelo à sua trajetória perseverante na TV, onde conquistou o carinho dos espectadores em atuações delicados como o delegado Jorge, do folhetim “Sonho meu” (1993-94). A firmeza em seu “falar”, uma firmeza quase épica, carrega um tom de fragilidade singular, que marca sua poética como dublador. Uma poética que faz dele um farol em sua classe. A seguir… Hélio fala sobre sua incursão à terra do Batman.

O que existe de mais desafiador na composição de Joaquin Phoenix para o Coringa no filme? Como é buscar uma interpretação de voz à altura da loucura do personagem?
Hélio Ribeiro:
Acho que o mais desafiador é esquecer todos os Coringas já feitos e ser mais fiel possível ao original. Com a ajuda do Garcia Jr., que dirigiu a dublagem, tive que tirar todo o grave da voz, pra passar a fragilidade e inocência iniciais do personagem. A coisa tem que ir num crescendo, pra contrastar com a virada dele no filme. Por isso, cada inflexão foi minuciosamente estudada, diferentemente de tudo que já fiz.
Que características mais te chamam atenção na forma de Joaquin Phoenix atuar, em geral?
Hélio Ribeiro:
A entrega e a transformação pra cada personagem. Ele é um grande ator.
Como é a voz do De Niro, seu habitual boneco, que agora contracena com Joaquin Phoenix?
Hélio Ribeiro:
É mais grave, cadenciada. O De Niro tem uma forma própria de dividir as frases, é muito difícil dublar ele. Tive que usar um tom completamente diferente pro Phoenix.
Quais são os personagens e astros mais recorrentes em sua carreira na dublagem?
Hélio Ribeiro:
Sou ator desde 1975 e dublo desde 1979, ou seja, 40 anos. Os “bonecos” mais famosos são: Joaquin Phoenix, Robert de Niro, Steve Martin, Kevin Costner, Dennis Quaid, Jeff Daniels, Bill Pullman, Pierce Brosnan, James Belushi, Ted Danson, Jeff Goldblum, Ed Harris, Christian Slater, John Malkovich, Kevin Kline, entre outros. Peça eu faço só ano que vem, talvez vá com “Freud – A Última Sessão” pra São Paulo.

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