Como se fosse a primeira ‘Sessão da Tarde’

Como se fosse a primeira ‘Sessão da Tarde’

Rodrigo Fonseca

13 de abril de 2022 | 10h35

RODRIGO FONSECA
Presente de Páscoa da TV Globo aos corações: “Como Se Fosse a Primeira Vez” (“50 First Dates”, 2004). Tem essa joia nesta “Sessão da Tarde”, às 15h30, abrindo caminhos para o bem querer. Egresso de filmes incorretos, mas há muito esquecidos, como “Mong & Lóide” (1995) e “Meus Queridos Presidentes” (1996), Peter Segal construiu, por pura sorte, um monumento ao amor, um manifesto em prol dos analgésicos poderes das mãos dadas. É um filme perfeito tanto para enamorados que estão juntinhos quanto pra aqueles estão a um oceano de distância. Adam Sandler, então somando uma média de bilheteria de US$ 100 milhões por filmes, vive Henry Roth, um biólogo marinho bom de lábia no quesito cantada. Mas sua manhã para seduzir ganha um norte quando uma Estrela de Belém chamada Lucy cruza seu caminho. Professora de Artes, a pintora interpretada (com vividez) por Drew Barrymore luta dia a dia com um problema de perda da memória recente. Seu low point é não registrar nos ossos da lembrança as vivências posteriores ao acidente que fez fratura em seu cérebro. Seu pai (Blake Clark) e seu irmão (Sean Austin) a amam, mas são oponentes em sua melhora, pois a protegem a realidade de uma quase amnésia. Mas a chegada de Roth é quase um cometa Halley em seu peito e não há superego que o detenha. Caberá a ele a tarefa de conquistar a moça, do zero, todo dia… TODO SANTO DIA, como todo amor sagrado exige. A produção, que custou US$ 75 milhões e faturou US$ 198 milhões, é um marco da década passada, com um roteiro pautado pela originalidade. Nas telas brasileiras, o longa ganhou uma dublagem de requinte, digna de aplausos. Miriam Ficher dubla Drew e Alexandre Moreno, em estado de graça, dubla Sandler.

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