Comédia sobre redes sociais leva Berlim às gargalhadas

Comédia sobre redes sociais leva Berlim às gargalhadas

Rodrigo Fonseca

24 de fevereiro de 2020 | 14h12

Rodrigo Fonseca
Às voltas com um filme encarado como obra-prima para chamar de seu (o banho de descarrego “Sibéria”, de Abel Ferrara), a Berlinale dá as mãos ao riso e aposta numa trama hilária sobre a falta de sintonia nossa com os códigos de conduta da cultura digital. Quem duvida de que comédia é um gênero afeito à competição do Festival de Berlim, precisa ver “Effacer l’historique”, de Benoît Delépine e Gustave Kervern. Este “Relatos Selvagens” à francesa, da dupla de diretores de “Saint Amour” (2016), discute a microfísica do poder digital e da burocracia a partir de uma série de situações envolvendo as contraindicações da tecnologia e das redes sociais. A sequência em uma personagem, a motorista de aplicativo Christine (Corine Masiero) confessa sua dependência em séries de TV levou o Berlinale Palast abaixo, às gargalhadas.

“Gustave e eu gastamos horas e horas diárias andando de transporte coletivo. Isso é uma rede social onde você entende alienação”, disse Delépine a Berlim. “Tem algo da nossa vivência pessoal aqui num olhar sobre o controle das informações”.

Dia 1. a Berlinale chega ao fim. No dia 29 serão entregues os prêmios oficiais do júri presidido por Jeremy Irons, com o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho em sua equipe. E “Effacer L’Historique” pode sair com a láurea de melhor roteiro, pela acurada mirada que mantém sobre o uso alienante da web e a dependência de celulares.

Ainda nesta segunda, a série Globoplay “Onde Está Meu Coração” foi exibida na ala de mercado da Berlinale,com elogios rasgados da plateia ao texto de George Moura e Sérgio Goldenberg, sobre uma médica que sofre com o vício em crack. O papel coube a Letícia Colin, em invejável forma. Na terça, tem uma outra série, “Desalma”, com roteiro pilotado pela escritora Ana Paula Maia (autora de “Carvão Animal”).

Ainda nesta terça, o festival germânico confere “Luz nós Trópicos”, jornada cosmológica de Paula Gaitán

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